Primeiro de maio: greves para todo lado!

01/maio/2014, 22h00

*Por Sara Azevedo

Há 125 anos, os operários da cidade de Chicago, grande centro estadunidense, se levantaram contra seus patrões contra as péssimas condições de trabalho e redução da jornada de trabalho que abriu a uma das marchas mais furiosas já vista.

Em 1968, teve ato do 1º de Maio em Osasco (uma das mais desafiadoras ações que o regime dos generais conheceu). Os trabalhadores que começaram o movimento pelas “diretas já”, cruzando os braços nas greves do ABC, que se espalharam pelo país, no final da década de setenta.

Há exatos 2 meses começava a vitoriosa greve dos garis do Rio de Janeiro que contagiou o Brasil inteiro com a coragem laranja destacada de seus uniformes durante o carnaval carioca.

Os três movimentos são de momentos distintos da história porém demonstram o protagonismo da classe trabalhadora na luta por seus direitos. O nosso dia tem sabor especial em 2014. Longe das festas e premiações das centrais sindicais, que reproduzem a velha política clientelista, os trabalhadores estão no centro das lutas sociais em nosso país.

O pós-junho de lutas, onde a juventude esteve a frente do maior levante da história brasileira, os trabalhadores tomaram as rédeas da luta por direitos, por fora das velhas estruturas de organização. Novas categorias, como as dos garis, fizeram greves. As tradicionais também fizeram. O funcionalismo público em todas as esferas estão em momento de latência. As data-base de diversas estão vencendo agora em abril e maio. O Brasil da copa também é o Brasil das greves.

Palavra de ordem é unidade: trabalhadores e juventude juntos!

Para aprofundar esse periodo de latência das lutas sociais, a unidade entre juventude e classe trabalhadora é fundamental. A coragem dos jovens que em junho fizeram história, é indubitavelmente o combustível das greves que explodem no país em 2014.

O exemplo dos jovens de porto alegre fechando as garagens, assim apoiando a greve dos rodoviários unificando as pautas, assim como entramos nos quarteis fazendo greves de soldados e conquistando vitórias. Temos de se arrastar pra todas as categorias no mundo do trabalho.

Mais vale o que virá: 15M e a luta dos trabalhadores

Nesse dia do trabalho também é dia de lembrar as atrocidades que deixam de legado a Copa do Mundo de futebol. Os 8 operários mortos nas obras dos estádios, as remoções de pessoas de suas casas, a higienização das cidades e os bilhões gastos em grandes elefantes brancos construidos marcam esse governo como mais do mesmo.

No Brasil, deflagrado por greves, necessidades imediatas como saúde e educação, não temos o que comemorar e muito a que lutar. O desserviço que as centrais sindicais governistas e de oposição de direita fazem ao fazer grandes festas é de descaracterizar um dia marcado pelo suor, mortes e lutas dos trabalhadores.

Por isso, a unidade de todos os movimentos sociais, populares, juventude e trabalhadores marcará o dia 15 de Maio com diversos atos pelo país. Convocamos para ocuparmos as ruas novamente em luta em primeiro lugar, por condições dignas de trabalho, melhores salários conta a super-exploração, mas também contra os abusos do mega evento e a falta de investimentos em setores básicos do país.

Vamos Juntos, unindo juventude e classe trabalhadora, construindo um novo futuro, virando do avesso a política!

*Sara é professora da rede pública estadual de Minas Gerais e faz parte do grupo de trabalho nacional do Juntos!