A luta contra LGBTfobia nas escolas de Barueri

26/jun/2014, 13h40

*Alexandre Silvério “Akil”

Ocorreu no Instituto Técnico de Barueri – unidade Jd. Belval – em meados de abril de 2014 uma série de atos homofóbicos, onde um grupo de alunos cujo não se sabe a identidade, escreveu nos banheiros da instituição agressões verbais a um aluno homossexual afeminado que faz uso de batom. Após ver o ocorrido o aluno comunicou a Orientação pedagógica que reagiu com comentários desencorajadores: – Você não fica bem de batom. Se você não usasse batom, não teria acontecido isso. Ao se passar o caso para a Coordenação pedagógica, recebeu o mesmo tipo de tratamento e tentando comentar o caso com a direção da escola por fim, já que nenhuma das outras instâncias ajudou, se aprofundou o descaso pois a postura da diretoria foi de abafar o caso, culpabilizando a vítima.

A força da mobilização coletiva

Logo em seguida, o estudante, com apoio dos amigos que também se indignaram com a postura da escola, organizaram um protesto lúdico denominado “Batomzaço” onde todos os estudantes que estivessem solidários iriam passar batom vermelho em apoio ao colega. Acontece que antes do ato um grupo de estudantes que se auto denomina “neo nazista”, realizou uma encenação de um garoto que usava batom e outros sete garotos que batiam nele com chutes e pontapés! Essa ameaça de agressão foi feita nos corredores das salas de aula! A direção, procurando evitar supostos conflitos, atuou para desmobilizar o Batomzaço, ameaçando advertir de alguma forma quem aderisse ao protesto. Ou seja, o lado da direção não foi proteger quem já havia sido agredido verbalmente e sofria ameaça de agressão física também, e sim ser conivente com o preconceito e a violência!

Mas os estudantes indignados não desistiram e seguiram mobilizados! Realizaram uma manifestação na frente da escola, que seguiu para a Câmara dos Vereadores e Prefeitura de Barueri. Em nenhum dos lugares a manifestação foi recebida pelas autoridades competentes, ao contrário, a Polícia Militar foi chamada, para tentar coagir a força da mobilização. Mas mesmo assim esse ato conquistou uma reunião com a Coordenadoria de Diversidade Sexual da prefeitura, mas onde nem a direção nem a FIEB – fundação responsável pela rede dos ITB, compareceram.

Próximos passos rumo às conquistas da mobilização!

No Dia 25 de junho ocorreu o segundo ato em frente ao ITB – unidade Jd. Belval. Estudantes dessa escola e de outras da rede FIEB/ITB, com apoio dos movimentos sociais de juventude Juntos! e RUA, ficaram com faixas e bateria agitando no portão, pedindo diálogo com a direção da escola e da FIEB.

Finalmente surgiu uma possibilidade de conversa, mas as direções não permitiram a entrada de todos presentes, mesmo com a insistência do movimento, entrando pra reunião alguns representantes.

Infelizmente o que vimos na reunião foram tentativas novamente do ITB Belval e da FIEB em não se posicionarem.
A superintendência da instituição alegou que não vê o ato como forma de homofobia até que se prove o contrário, e que vai esperar o posicionamento da Coordenadoria Estadual de Diversidade Sexual.
Porém, algumas conquistas eles tiveram que ceder! Comprometeram-se em tomar medidas a longo e médio prazo de projetos com o tema da diversidade sexual e as pessoas que estão em crise de identidade sexual, promovendo quem sabe até mesmo um curso pedagógico sobre o assunto. Nesse sentido disseram que terá que ter estudantes representantes de cada unidade dos ITB para ajudar nessa elaboração.

Outra conquista muito importante foi a existência do Grêmio do ITB Belval, que ano após ano foi impedido de existir por parte da direção da escola, contra a organização dos estudantes.

Foram conquistas importantes mas queremos uma resposta e posicionamento claro da direção da escola e da FIEB para que casos como esse não tenham mais espaço para acontecer! Por isso o próximo passo do movimento contra a LGBTfobia nas escolas de Barueri será uma audiência pública no dia 30 de junho na Assembleia Legislativa de SP, ALESP, plenário Dom Pedro I às 15h, cujo tema será as medidas que irão ser tomadas daqui pra frente, assim acompanhando também o caso no Legislativo.

Convidamos todas e todos a participarem da audiência pública, é de suma importância a participação de todos, seja LGBT ou não. Estamos lutando por direitos! Pelo fim do preconceito!

*Ex-presidente do Grêmio – ITB Engenho Novo