Maio de Vitórias da UFRGS: Juntos podemos conquistar muito mais!

10/jun/2014, 13h20

“Me gustan los estudiantes

Porque levantan el pecho

Cuando les dicen harina

Sabiéndose que es afrecho

Y no hacen el sordomudo

Cuando se presente el hecho

Caramba y zamba la cosa

¡El código del derecho!”

Mercedes Sosa.

Ocupação da Faculdade de Direito. Foto Ramiro Furquim/Sul21

O mês de maio carrega uma série devitórias do movimento estudantil na UFRGS: O Conselho de Entidades de Base autoconvocado por 29 Centros Acadêmicos da UFRGS que derrotou o golpe da mudança de estatuto do DCE, a ocupação da Faculdade de Direito que anulou um concurso docente fraudado e abalou os pilares do poder da faculdade, e a ocupação da Reitoria que obteve uma importantes conquista no campo da  Assistência Estudantil. Todas elas ocorridas por meio da auto-organização dos estudantes em suas entidades de base e seus coletivos, e por fora do Diretório Central de Estudantes conservador.

Entidades de base derrotam tentativa de golpe do DCE

Desde que tomou a frente da gestão do DCE,  o grupo da direita mais conservadora, machista e elitista que se reivindica apartidário tem como ponto estratégico a mudança do estatuto da entidade, impondo sistemas virtuais de votação em fóruns controlados por eles, mudando ideologicamente o caráter da entidade propondo um DCE que abdique da luta por uma universidade pública e gratuita. As assembleias convocadas para discutir alterações na proposta de estatuto tiveram um baixíssimo quórum, mostrando o distanciamento do diretório em relação aos estudantes, porém felizmente aqueles que participaram das assembleias rechaçaram completamente a proposta de alteração.

No dia 7 de maio ocorreu de forma autoconvocada o primeiro Conselho de Entidades de Base do ano, que contou com a participação massiva dos Centros e Diretórios Acadêmicos da UFRGS. Um espaço democrático e representativo dos estudantes que deliberou diversas políticas para o movimento estudantil, incluindo um rechaço a forma e conteúdo da alteração estatutária proposta pelo DCE. A gestão do DCE, não satisfeita, tentou sem sucesso novamente aprovar seu estatuto por meio do Portal do Aluno da UFRGS. Felizmente o movimento estudantil foi vitorioso, não deixando tal alteração ser aprovada de forma fraudulenta, fazendo com que continue sendo proibido que a entidade pague salários para seus diretores, e mantendo como uma de suas responsabilidades a luta por uma universidade pública e de qualidade. É  tarefa  dos  estudantes  e  centro acadêmicos  combativos  debaterem  o  atual  estatuto  do  DCE  e  as  demandas  de  nossos  cursos  para  uma  futura  alteração  em  Congresso  de  Estudantes  com  participação  de  toda  ampla e plural  do  estudantes

Direito Ocupado, concurso Anulado!

A ocupação da faculdade de Direito foi o maior fato político da universidade neste ano.Luta essa construída desde o segundo semestre de 2013,quando ocorreu o concurso de Direito Penal que barrou por critérios irregulares a aprovação de um professor reconhecidamente competente para o cargo de docente. O Centro Acadêmico André da Rocha (CAAR) e o conjunto dos estudantes de direito foram protagonistas nesta luta, com um grupo muito jovem e combativo, livre de amarras conservadoras presentes nas gestões anteriores. Compraram essa luta construindo pacientemente cada passo com com os estudantes e o conjunto do movimento estudantil

A intransigência da direção da unidade se mostrou desde o início, formando uma comissão de negociação que em nada negociava, não atendendo as demandas mais básicas e não dando explicações públicas sobre os fatos do concurso, a luta passou das fronteiras da faculdade de direito, expôs a UFRGS e seus repetidos casos de problemas com concursos públicos.

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, um dos conselhos mais conservadores da universidade, se viu obrigado a anular o concurso fraudado, um duro golpe contra a falta de democracia da universidade e os resquícios feudais daquela faculdade.

Após 31 dias a ocupação se encerra de forma vitoriosa, o movimento que ficou conhecido como “Ocupa Castelinho” deixa uma marca e sai com um grupo renovado de estudantes dispostos a participar do movimento estudantil e da luta pelas mudanças tão necessárias dentro e fora da faculdade.

Ocupa Reitoria

Em meio à Ocupa Castelinho, estudantes ocuparam a Reitoria da universidade. Resistiram a pressão e a criminalização do movimento por parte da reitoria, que logo na primeira semana de ocupação pediu reintegração de posse. Felizmente o pedido foi negado pelo judiciário depois da intervenção jurídica do Ocupa Castelinho (como terceiro interessado), o que colocou a reitoria contra a parede e obrigou a mesma a uma audiência de conciliação.

A Universidade que estava comemorando seus 80 anos com vídeos institucionais muito bem elaborados, mas que não mostravam as debilidades com assistência estudantil, democracia, segurança e etc. Teve de ceder na audiência de conciliação, quando foi conquistado pelos estudantes a gratuidade do Restaurante Universitário para os estudantes carentes e auxílio de 200,00 reais para moradores da casa do estudante, algumas das demandas históricas do movimento estudantil.

Movimentos que agitaram a UFRGS, as vitórias das três frentes

No jornal Zero Hora do dia 20 de maio houve uma manchete com os 80 anos da UFRGS marcados por protestos e descontentamento de três movimentos, o que obrigou a reitoria a conceder vitórias em face à pressão e constrangimento público.

Estas vitórias estão incluídas numa confluência de esforços de três frentes: Ocupa Castelinho, Ocupa Reitoria, e um terceiro ator, não menos importante: Os Servidores Técnico-Administrativos grevistas, tradicionais parceiros do movimento estudantil combativo, se encontram em uma greve nacional difícil, com fase acirrada tanto de negociações nacionais como em luta interna no sindicato, que se encontra dividido entre a base organizada e determinada a obter vitórias, e os setores governistas determinados a acabar com a greve.

Seguir a luta, ampliar conquistas e avançar o movimento estudantil!

Estamos dispostos a conquistar mais vitórias e defendemos a unidade do movimento estudantil combativo e plural, pois  juntos temos muitas outras conquistas a concretizar. Este é o momento de massificar nossas ações e trazer mais estudantes para nosso lado, é o momento de atingir os diferentes e os indiferentes. Consolidar a esquerda combativa e consequente para nos somarmos com estudantes indignados que querem conquistar mais vitórias.

A ampliação dos RU’s e a volta do suco com qualidade podem ser conquistas importantes e alcançáveis. Uma opção vegetariana digna, mais RU’s e suco são urgentes. Assim como uma grande campanha contra a criminalização dos movimentos sociais, pelo fim de retaliações aos que lutam por uma Universidade melhor.

Devemos superar a apatia e o conservadorismo do DCE, derrotando  o grupo que pretende se encastelar na entidade a partir do isolamento dos estudantes das decisões reais da Universidade. Depois do maio de vitórias, é possível conquistar mais!

 

Juntos! UFRGS

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017