Natal, cidade sede da Copa, em estado de calamidade

16/jun/2014, 13h18

* Lucy Karoline

            Todo ano é a mesma coisa: junho e julho são meses de chuva no Nordeste. Isso não é segredo pra ninguém. Elas podem ser mais fortes ou mais fracas, e de acordo com a crendice do povo nordestino: quando chove no dia de São José significa que o inverno será bom – com fortes chuvas. E foi o que aconteceu esse ano. Apesar de ser uma cidade praiana e conhecida como “a noiva do sol”, em Natal também chove.

Cratera aberta na comunidade de Mãe Luiza

 

Sexta e sábado (13 e 14 de junho), choveu em Natal o inesperado para esses dois dias. A cidade ficou um caos total, com vários pontos de alagamento, com lagoas de captação transbordando, e com mais de 70 famílias desalojadas por terem suas casas totalmente invadidas pela água. O mais grave aconteceu na Comunidade de Mãe Luiza e na praia de Areia Preta. Na parte de baixo, em frente à praia, está localizada uma das áreas mais nobre de Natal com prédios luxuosíssimos e com moradores de alto poder aquisitivo. Já na parte superior, no morro, fica localizada a comunidade de Mãe Luiza. Só lá, 50 famílias tiveram suas casas interditas pela Defesa Civil após o deslizamento de terra que aconteceu entre a parte superior e a inferior. A rua Guanabara, em Mãe Luiza, foi totalmente engolida pela cratera que se abriu.

Natal possui 414 anos e até hoje, essa cidade não tem um plano de drenagem. Sempre que chove, é a mesma coisa, acontecem essas tragédias já anunciadas. Houve até prefeita eleita com a promessa de tirar da gaveta o tão plano. E adivinhem! Ela não tirou. A Copa do Mundo já chegou, e enquanto muitos esperam pelo Hexa, as famílias vítimas da chuva esperam poder voltar para suas casas. Assim como em outras cidades sedes, os governos se preocuparam apenas em construir estádio, viadutos, túneis, tirar pobres do entorno dos estádios, maquiar as cidades para agradar a FIFA e esqueceram o mais importante: o legado para quem fica: escolas, hospitais, drenagem, segurança e outras prioridades.

Mãe Luiza. Foto: Catarina Santos

A prefeitura que preparou uma Natal para inglês ver, maquiando seus problemas por todas as partes e colocando a pobreza para de baixo do tapete, colocou Natal em estado de calamidade pública. Em seu discurso coloca o problema da chuva como natural, faltou só dizer que a culpa é de São Pedro. Enquanto se levantou estádio, esqueceu-se dos moradores da periferia e não deu nenhuma prioridade para a prevenção de situação como essas.

#SomosTodxsMãeLuiza, toda a solidariedade aos moradores que foram afetados!

Toda ajuda é bem-vinda:

Fraldas normais e geriátricas;
Galões de água;
Alimentos não-perecíveis;
Roupas;
Lençol, colchão;
Produtos de limpeza pessoal;
Etc.

Os pontos de arrecadações são:
– Ginásio Nélio Dias (ZN);
– Escola Municipal Santos Reis (Rua Décio Fonseca em Santos Reis);
– Escola Dinarte Mariz (prox. a igreja de Mãe Luiza).

 *Lucy é estudante de serviço social na UnP e militante do Juntos! Natal

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