Juntos Podemos…Revolucionar a Política no Brasil!

04/jul/2014, 11h47

De onde partimos, para onde vamos?

Vivemos tempos desafiantes. Durante o ano de 2013 a juventude foi exemplo de inquietação e mobilização pelas ruas de todo o país. Junho de 2013 foi um marco na mobilização da juventude e do povo brasileiro. O aumento das tarifas no meio do ano, uma tentativa de segurar a inflação por alguns meses, indignou os jovens e os não tão jovens assim de Norte a Sul do país, desde os das grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre a até mesmo das menores.

As tarifas foram o estopim! Mas há muito tempo a população vinha acumulando indignação não só por causa dos ônibus caros e superlotados, mas também devido aos hospitais precários e sem leitos, das escolas sucateadas e repressoras, da corrupção e oportunismo descarados dos nossos políticos. Colocamos os governos, a FIFA, os empresários do transporte e a velha forma de fazer política em xeque. Mostramos que os 1% de cima nada fazem para melhorar a vida dos 99% que compõem a camada dos de baixo. Mostramos que o povo unido na rua pode mais.

O ano de 2014, o da Copa do Mundo no Brasil, já se tornou especial: continuamos questionando as grandes corporações como a FIFA, os monopólios dos veículos de comunicação e a grave ação repressora da polícia. O ano começou acelerado: com os rolezinhos, despertou-se o debate sobre como é tratada cotidianamente a juventude da periferia. As Marchas das Vadias e da Maconha cresceram em diversas cidades dando continuidade à luta por direitos e mais liberdade, bandeiras levantadas nos grandes atos do ano passado.

Nossas vozes e cartazes inspiraram milhares de trabalhadores a protagonizarem greves vitoriosas em todo o Brasil. Muitas dessas aconteceram atropelando as direções burocratizadas de seus sindicatos: os rodoviários em Porto Alegre, os garis no Rio de Janeiro em pleno carnaval, o movimento dos Praça (PM e Bombeiros) no Pará, os metroviários de São Paulo às vésperas da Copa do Mundo e diversas outras categorias nos provaram que a coragem é contagiosa.

Mais recentemente, no bojo da indignação contra a Copa do Mundo o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), protagonizou dias importantíssimos de luta por moradia, contra a especulação imobiliária e os lucros das empreiteras, levando mais de 20 mil Sem Tetos ás ruas, bloqueando vias importantes na capital paulistana e arrancando do Governo uma grande vitória: a concessão do terreno da Ocupação Copa do Povo, que é próxima ao Itaquerão em São Paulo, dentre outras reivindicações. Os lutadores do MTST mostraram que devemos lutar e podemos vencer.

O que nos orienta?

A batalha das ideias é travada todos os dias. Quando o pão e a passagem de ônibus ficam mais caros podemos voltar para casa indignados ou podemos organizar nossa indignação com mais pessoas para transformar esta realidade. A pressão das ruas e das greves é o que nos move em direção a mais conquistas. Sabemos que para isso também é preciso fortalecer cada vez mais os mecanismos de participação direta da população nos rumos da política nacional, para que a juventude e o conjunto dos movimentos sociais de fato sejam ouvidos. Por isso, destacamos os seguintes eixos:

-Participação na política: Este ano 11 milhões de jovens votarão pela primeira vez, mas apenas 5% do Congresso Nacional tem menos de 40 anos. Não só a juventude é subrepresentada nos parlamentos, mas também o são mulheres, negros e LGBTs. Precisamos ocupar os parlamentos com todas essas vozes. A política no Brasil hoje é sinônimo de negócios privados. Precisamos mudar de vez esta realidade, tornando a política assunto de todos. É preciso mudar radicalmente os mecanismos de participação popular na política. Um primeiro passo pode ser dado nestas eleições, rechaçando a continuidade da política capitaneada por PT e aliados, negando o retrocesso expresso em Aécio (PSDB) e seus comparsas, bem como não caindo no conto do vigário de Campos e Marina. Mas não basta negar, é preciso construir uma alternativa.

-Revolução na orientação econômica: o modelo econômico do país tem como objetivo maximizar os lucros dos mega empresários. São estes osmerecedores de elevada isenção de impostos e de vultosos privilégios.O povo paga a conta enquanto os grandes investidores fazem a festa do capital financeiro. Nossos impostos são drenados para atender primeiramente os interesses destes credores, os principais aliados do alto escalão da política brasileira. Em contrapartida, os serviços públicos vão de mal a pior. Somos a favor de uma orientação econômica que rompa este modelo que só beneficia as grandes corporações, os banqueiros, as grandes empreiteiras. Exigimos uma auditoria da dívida pública, que consome metade do orçamento do país todo o ano! Defendemos que as famílias milionárias de nosso país paguem mais impostos do que os trabalhadores e o conjunto dos assalariados;

-Mais direitos e liberdades: por saúde e educação padrão FIFA; pela desmilitarização da polícia; pelo fim da guerra às drogas e da criminalização da pobreza; pela regulamentação e legalização da maconha; pelos direitos das mulheres e contra toda forma de opressão e violência; pelo respeito e dignidade às/aos LGBTS; por toda forma de amor; pela preservação da riqueza natural e de todos os bens comuns; contra os megaprojetos, como Belo Monte, que destroem o patrimônio natural e cultural de nosso país; pelo respeito às populações tradicionais e a todas as etnias; pela diversidade cultural; contra o racismo e toda a forma de preconceito: por mais direitos, respeito à diversidade e pela liberdade!

Por que intervir nestas eleições?

No próximo período acontecerão as eleições para deputados, governadores, senadores e presidente. Será a primeira eleição após o turbilhão das jornadas de junho de 2013. A potência crítica e toda a insatisfação da juventude podem servir para a construção de novos caminhos. A eleição é um importante momento onde boa parte da população, por bem ou por mal, debate a política do país. É um momento onde todos se preocupam com os problemas nacionais e tentam refletir sobre soluções para eles. Se consideramos necessário revolucionar a política, não podemos deixar que durante os próximos meses a hipocrisia e as falsas promessas se apresentem como alternativa. Seria grave que após um ano de intenso questionamento e muitas vitórias os velhos políticos e partidos de sempre saiam vitoriosos do processo eleitoral.

A juventude precisa ocupar as eleições com suas reivindicações. É necessário fortalecer um projeto conectado com nossas lutas. É necessário ter porta-vozes nestas eleições que levantem alto nossas bandeiras. É por isso que a juventude que se organiza no Juntos! entrará de cabeça na campanha de Luciana Genro (PSOL) para presidenta do Brasil.

Luciana Genro é ex-deputada e foi fundadora do PSOL. Expulsa do PT por ter votado contra a Reforma da Previdência em 2003, foi uma dos radicais que construiu um novo partido de oposição de esquerda ao recém eleito Governo Lula. Esteve nestes últimos anos do nosso lado nas principais lutas. Assim como nós, inspira-se nas grandes mobilizações que tomaram os países árabes, a Europa e até mesmo os EUA nos últimos anos, sempre protagonizados pela juventude. No Brasil, esteve junto com o Juntos! nos atos que derrubaram o aumento da passagem em Porto Alegre e que influenciaram as gigantescas manifestações que tomariam outras cidades durante o mês de junho de 2013. Em seguida, aliou-se à luta de diversas categorias e apoiou decididamente o principal movimento social brasileiro hoje, o MTST. Sua candidatura pode ser um ótimo instrumento para verbalizar nesta eleição a indignação de milhões de jovens.

Luciana pode ser a expressão política de parcela significativa daqueles que saíram às ruas em 2013 e 2014. Como diziam nossos cartazes, não fomos às ruas apenas por 0,20 centavos, e sim pelos direitos dos 99% contra o 1% mais rico deste país. Sendo assim, a eleição será mais uma batalha desta guerra! Estaremos com Luciana Genro para fortalecer os sonhos e os desejos de mudança da juventude. Vamos com Luciana Genro florescer mais uma primavera no Brasil!

Juntos podemos transformar a política brasileira!

Grupo de Trabalho Nacional do Juntos!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017