Na luta pela visibilidade LGBT

01/jul/2014, 23h38

*Izabel Reinaldo

 

No dia 30/06 foi exibido na novela “Em família”, da Rede Globo, o tão polêmico e anunciado “beijo lésbico”. O que impulsionou, como já era de se esperar, uma série de comentários nas redes sociais.

Para além da tela da TV e dos comentários do Facebook, sabe-se que a discriminação é real e “sentida” por um número grande de pessoas cotidianamente. Expressões como “não tenho preconceito, mas…” acabam por enfatizar ainda mais o preconceito e a discriminação, embora tais atitudes sejam negadas exageradamente, ou ainda pior, justificadas de maneira esdrúxula.

A luta contra a homofobia ou LGBTfobia não é recente, no entanto, infelizmente ainda vivenciamos a violência real e simbólica todos os dias. Lembremos que omitir a violência também é uma forma de mantê-la. Mostrar o beijo de um casal do mesmo sexo não diminuirá ou acabará com as inúmeras formas de discriminação, tampouco fará com que pessoas conservadoras ao extremo mudem de opinião de um dia para o outro, sabemos disso. Porém, não mostrar pode alimentar o tabu do beijo, fortalecer a ideia de que “isso não é para vocês” e ainda despertar o pensamento de que não há “espaço para vocês aqui.”, evidenciando ainda mais a exclusão.

Vale lembrar que além de serem mulheres, as personagens são lésbicas. Parece redundante, mas ao refletir mais profundamente, aliás, nem precisa ser tão profundamente assim, podemos perceber que os comentários proferidos pelas pessoas sobre o casal deixam claro que a rejeição não se dá diretamente por Marina e Clara serem lésbicas, mas trata-se, além disso, da ideia enraizada de que corpos femininos não podem deslocar-se dos espaços de gênero que lhes foram culturalmente dados. Ou seja, isso seria subverter a ordem, já que se tratando de um “programa de família”, tais ideias não podem ser “incentivadas.”.

Sendo assim, partindo para o conceito de liberdade, pode-se dizer que dentro dela está inserido o direito de amar quem quiser , seja do sexo oposto ou do mesmo sexo, ou os dois, ou nenhum. Ser livre significa, definitivamente, ser livre. E é por esta liberdade que lutamos, pela liberdade de amar.

 

*Izabel Reinaldo é estudante de Pedagogia do INTA e militante do Juntos! Ceará

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