Por que a tarifa sempre aumenta?

29/jul/2014, 02h33

*por Juntos Campinas

Temos um histórico de aumento de passagens consecutivo, algumas vezes dois aumentos no mesmo ano! Tudo isso sem estudo, sem auditoria do preço, tudo baseado em números de uma planilha com irregularidades e que ninguém entende de fato.
Campinas, como a maioria das cidades, tem uma concessão para o transporte, que é quando a prefeitura deixa uma empresa privada explorar (para ter lucro) algum serviço. O busão é um caso. A Transurc é um conjunto de empresas privadas que administram o transporte “público”, mas as empresas ligadas ao Grupo Belarmino são a esmagadora maioria dessas prestadoras de serviços — inclusive pressionando, internamente, os pequenos transportadores de cooperativa.

 

Captura de tela - 29-07-2014 - 02:07:35O Grupo Belarmino tem diversas empresas, em diversas cidades. Para conseguirem manter o lucro sempre aumentando, financiam campanhas dos candidatos mais populares (e corruptos), como o Dr. Hélio (PDT) que roubou 600 milhões da SANASA. Fizeram também com Jonas Donizette (do PSB, que recebeu R$117 mil reais da empresa do busão, segundo o TSE), que não conseguiu nem pensar em aumentar a passagem no ano passado, por causa das jornadas de junho. Para não sentir a pressão popular com toda a força, Jonas aumentou o subsídio (dinheiro que sai do nosso imposto) que a empresa recebe, garantindo o lucro exorbitante e pasmem: desconhecido! Ninguém sabe direito o lucro da empresa, pois as planilhas têm irregularidades e superfaturamentos já apontados pelos vereadores Paulo Búfalo e Pedro Tourinho.

cpi da tarifa

ocupação da câmara de vereadores de Campinas

Em meio a dados totalmente contestáveis e incabíveis justificativas, o secretário de transportes de Campinas Carlos José Barreiro, informou que a partir do dia 1º de agosto a tarifa passaria por um aumento de 10%. Para o secretário, o reajuste é necessário graças ao aumento de custos, que vão desde o combustível aos gastos com mão de obra – contraditoriamente, centenas de trabalhadores foram demitidos nos últimos meses, resultado de um projeto que visa acabar com os cobradores de ônibus.
Outro argumento para legitimar o aumento é que, com a nova tarifa, o subsidio que o município repassa para os empresários cairia de 43 milhões para 25 milhões. Na prática, a população continua pagando nas duas instâncias.

432366_458301690872912_308569919_nA única solução seria fazer uma auditoria popular nas planilhas que a Emdec usa para definir o preço das passagens, aos olhos de todos. A própria Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas – Emdec – admitiu que há irregularidades nos números usados. No ano passado, em 7 de agosto de 2013, ocupamos a câmara de vereadores pelo Passe Livre e pela CPI da Tarifa, que investigaria o preço abusivo nas passagens do busão de Campinas. Todos os manifestantes foram retirados de forma violenta pela polícia e seguem sendo criminalizados! A mídia fez coro com o presidente da câmara de vereadores que nos chamou de bandidos… mídia onde anuncia o Pastifício Selmi (dono do macarrão Renata), a Azul de aviação e a própria Transurc: todos com negócios com Belarmino Marta Jr., dono do Grupo Belarmino. Será que a mídia falaria mal de anunciantes e bem de pessoas que lutam contra o anunciante?

O prefeito tenta maquiar o processo do aumento da passagem, dizendo que diminuirá o subsídio para o empresário do busão e que dará meia passagem para os universitários, tentando jogar a população contra as pessoas que fazem faculdade, pois alguém tem que “cobrir o custo” deles. Além disso, é uma tática para tentar desmobilizar os estudantes universitários, que são geralmente maioria nos protestos contra a tarifa, mas não funcionará!

(Alguns anos atrás, diziam que os idosos geravam muito custo e assim surgiu o subsídio, mas os idosos quase não utilizam, e quando o fazem é em períodos de baixo fluxo.)

Lutamos contra o aumento e pela auditoria pública e popular da concessão de transporte, pois entendemos que transporte deve ser um direito! Toda vez que a passagem aumenta, a população sofre e perde cada vez mais o acesso à cidade, por consequência perde o acesso à saúde, educação e cultura, que deveriam ser direitos.