Por um ITB democrático e Diverso

11/ago/2014, 17h04

Recentemente divulgamos um caso de homofobia no ITB Brasílio Flores de Azevedo, o ITB Jd Belval, que ocorreu com o aluno Victor de 17 anos, praticado inicialmente por colegas de escola e ratificado pela coordenação pedagógica e pela direção da escola. (Leia o relato da professora Talita sobre o caso na página “Ações contra a LGBTfobia nas escolas de Barueri”: https://www.facebook.com/groups/293208844172726/permalink/301285683365042/). O caso de homofobia foi levado à coordenadoria de diversidade sexual do município de Barueri, ao CADS – Coordenação de Políticas LGBT  do Estado de São Paulo e à FIEB – Fundação Instituto de Ensino de Barueri, mantenedora da escola. Aconteceu uma audiência pública na ALESP no dia 30 de junho último para tentar o diálogo entre as partes: o aluno e a escola. A escola não compareceu. (Veja a reportagem sobre o caso no jornal da ALESP. A partir dos 11 minutos desse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=_zT_IpV-qbM&sns=fb). Até o momento a escola também não se retratou com a família do estudante e nem reconhece que houve um caso de homofobia.

Além das denúncias sobre o caso também, o aluno Victor, a professora que o apoia na escola, Talita, vários outros alunos e professores da escola e de outras escolas da rede FIEB e a sociedade civil organizada promoveram duas manifestações na porta da escola e levaram o caso à prefeitura municipal de Barueri e à Câmara de vereadores da cidade, porém não foram atendidos em nenhum dos dois.

Como desdobramento do caso foi proposta à escola a criação de um ciclo de palestras e debates sobre machismo, racismo e homofobia, contando com nomes de peso para realização desse ciclo. A escola em um primeiro momento rechaçou a ideia e depois aceitou desconfigurando-a, tornando-a um evento pequeno, restrito aos alunos da escola, em espaços pequenos e concentrados em uma semana, com a inserção de outros projetos alheios a esse como maneira de desviar o foco da questão a ser tratada: a maneira preconceituosa como a escola vem tratando os alunos.

A professora Talita vem sofrendo pressões por parte da escola. Num primeiro momento foi isolada de reuniões. Após as denúncias voltou a frequentá-las, mas ainda existem ameaças de processos (processo de calúnia e difamação por denunciar o que está acontecendo na escola) e de demissão (foi acusada de fazer proselitismo político-partidário em sala de aula) proferida por colegas dentro de sala de aula para os alunos da escola; seus horários de aula estão fora dos seus horários de disponibilidade e ela vem sofrendo inclusive ameaças de perder parte de sua carga horária pelo fato de a escola não rever seus horários, seus projetos pedagógicos são engavetados etc.

Os atos de agressividade cessaram, mas as pequenas atitudes do dia a dia não. No ITB Jd Belval, casais de alunos heterossexuais podem dar-se as mãos, podem abraçar-se e podem beijar-se. Aos casais homoafetivos todas essas liberdades são vetadas dentro do ambiente escolar. E o direito de expressar livremente afeto tem sido negado a essa parcela dos alunos.

Mediante às pequenas e às grandes opressões, os alunos reúnem-se no intuito de criar, tardiamente, o grêmio escolar (ainda não existe!!!!). E são mais uma vez oprimidos pela escola. Um grupo de quatro alunos passou em algumas classes na última semana, chamando todos a participar da constituição do regimento para que depois possa ser criado o grêmio. A direção da escola os chamou e fez uma reunião com dez professores, a direção e a coordenação pedagógica. Acuou os adolescentes com o aviso de que o professor de física, que lá estava representando os professores de humanidades, é também advogado!

A escola ITB Jd Belval tem agido de maneira autoritária, antidemocrática e opressora! Não nos calaremos!

Por Juntos nas escolas e Juntos Zona Oeste