#DontShoot #NãoAtire – O Amarildo dos EUA

18/ago/2014, 14h01

Agitação, revolta e indignação é o que caracteriza os últimos dias em Missouri, estado norte americano, que nas últimas semanas tem vivido dias de protestos questionando a questão racial e a violência policial no país.

As manifestações se iniciaram quando Mike Brown, um jovem negro de 18 anos prestes a iniciar a vida acadêmica, foi morto na cidade de Ferguson por um policial. Testemunhas afirmam que Michel foi baleado mesmo após ter colocado as mãos na cabeça, como o policial havia exigido.

A cidade tem presenciado dias de fortes manifestações. Outras cidades dos EUA já se manifestaram em apoio aos protestos de Ferguson, exigindo justiça e fim da violência policial contra os negros. Tais manifestações tem conquistado a atenção e a solidariedade mundial para o caso do jovem assassinado.

A morte de Michel não é um caso isolado e traz visibilidade para o genocídio da população negra. Uma imagem de estudantes negros da Universidade Howard com as mãos para cima, criando a campanha “Não atire!” tem circulado na internet como forma de protesto ao assassinato do jovem. No Brasil, relembramos outras tantas campanhas do mesmo teor como, por exemplo, “Onde está o Amarildo?” que questionava o desaparecimento de um pedreiro negro morador de uma das favelas do RJ, morto pelas UPP’s no ano passado.

Os casos de Amarildo e Mike nos obrigam a enxergar uma realidade que parece surreal de tão cruel: os assassinatos praticados por policiais, sejam militares ou civis, tem cor e endereço certo. A população negra e periférica sofre cotidianamente com a violência policial.

Será que se o jovem fosse branco o desfecho trágico seria o mesmo? Quantos jovens negros ainda terão que morrer para que se perceba que o racismo ainda esta impregnado na nossa sociedade? Quantas marchas contra o genocídio do povo negro, como a que vai acontecer no dia 22 de agosto na Avenida Paulista, terão que ocorrer para escancarar uma realidade que os negros vem gritando há tanto tempo? Quantos Amarildos e Mikes vão ser assassinados sem que ninguém responda por isso, tal qual como nos tempos da escravidão?

Em meio a essa realidade tão cruel e repugnante cresce a força do movimento negro que ganha proporções internacionais. Os militantes desta causa marcham resistindo bravamente às opressões que insistem em dar aos negros complexo de inferioridade. Porém, o que tem se observado com todos os atos e manifestações que clamam por justiça racial, é que a população negra reconhece o seu lugar, e este lugar não é nos presídios ou nos caixões. O lugar do povo negro é nas ruas, nos espaços públicos, nas universidades e na política, é onde quisermos estar. Os negros seguem lutando por igualdade para que possam, enfim, ser livres. A nossa luta contra o racismo e a violência policial é internacional! #NoJusticeNoPeace “Sem justiça não haverá paz!” Estamos Juntos! nessa luta!

*Por Juntos! Negros e Negras

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017