Juventude aclama Luciana Genro na Universidade de Brasília e aponta a necessidade de um novo projeto para o Brasil

05/set/2014, 11h10

*Paola Rodrigues

Foi a primeira passagem de Luciana Genro à Universidade de Brasília nessas eleições. Centenas de jovens lotaram a Praça Chico Mendes, espaço que além de homenagear importante ativista nos direitos humanos dos trabalhadores seringalistas da Amazônia faz referência a uma das primeiras lutas do movimento social que adentra o espaço da Universidade de Brasília na redemocratização em 1985, desde que fora interrompida pelo golpe militar 21 anos antes, em 1964. A UnB foi pioneira, fez o Brasil e o mundo iniciar debate acerca da luta do povo da floresta amazônica.

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Luciana Genro apontou, em sua intervenção, a necessidade de transformar o Brasil a partir da educação brasileira, que hoje é controlada por grandes empresas que comercializam tanto o ensino básico quanto o ensino superior. Milhares de jovens não entram nas universidades públicas pela desigualdade social que existe hoje no país. Condições de vida desiguais levam a um futuro desigual. E isso precisa ser corrigido. O problema do Brasil, para além do acesso à educação pública, principalmente, superior, é a ausência de políticas públicas que pensem um grande projeto para aqueles que mais necessitam. Educação sexual não pode estar ausente no ensino das escolas. Educar para acabar com o preconceito contra homossexuais e transsexuais. Como disse Luciana: “Homofobia e Transfobia matam”. A criminalização da homofobia, projeto do deputado federal JEAN WYLLYS precisa ser regulamentado e foi sua implementação foi negada pelo PT. Além disso, o reconhecimento do casamento civil igualitário e o apoio à regulamentação do projeto de lei Gabriela Leite, que busca regulamentar a atividade das profissionais do sexo, são objetivos do governo de Luciana Genro.

Na Universidade de Brasília, recentemente mais de 250 trabalhadores terceirizados foram demitidos. Trabalhadores altamente precarizados, que realizavam, principalmente, o trabalho de segurança e limpeza dos espaços da UnB. Diante do tema, Luciana Genro falou que a precarização do trabalho é um dos principais problemas do Capitalismo, uma vez que esse sistema se vale da exploração do trabalhador para lucrar e perpetuar a sua lógica perversa de exclusão, majoritariamente, dos pobres, negros e moradores das periferias. Além do tratamento intransigente da Reitoria da Universidade de Brasília, que além de demitir sem aviso prévio e de forma abrupta, a dura greve dos servidores também foi rememorada. Uma greve que também reivindicava melhores condições de trabalho na UnB, reflexo do descaso com a educação pública brasileira como um todo, que atinge não só os trabalhadores, mas também os professores, que estão imersos na lógica do produtivismo acadêmico acima da qualidade da educação.

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Além disso, a candidata a presidência pelo PSOL se colocou a favor da valorização dos centros acadêmicos como forma de organização do movimento dos estudantes. “Os Centros acadêmicos são necessários e fundamentais para a vida política nas universidades”.

O genocídio da população negra também foi questionado por Luciana Genro. “A juventude nas ruas em junho pediu mais direitos e não mais encarceramento. A nossa política será de incluir todos aqueles socialmente excluídos. O que vemos hoje é um genocídio da população negra como desculpa para acabar com o tráfico. Mas isso é uma verdadeira guerra às drogas, que só vai acabar com a legalização da maconha. Com a regulamentação do plantio e venda da maconha, todo o mercado dominado pelo tráfico tende a diminuir”.

Além disso, Luciana foi perguntada sobre a viabilidade de suas propostas, já que, caso eleita, o seu partido não possuiria maioria no Congresso Nacional. A candidata respondeu que vai governar com a pressão popular e que vai continuar pedindo para que os movimentos sociais continuem saindo às ruas e ocupando os espaços que lhe são de direito. Luciana disse que vai trabalhar junto aos movimentos sociais, por exemplo, para dirigir os ministérios que tratem da reforma agrária e urbana. A candidata disse que incorpora em seu programa de governo as reivindicações históricas do MST (Movimento Social dos Trabalhadores Sem Terra) e do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). “Os movimentos sociais vão dirigir as suas pautas no governo do PSOL”.

Luciana Genro em Brasília 081

E no fim, Luciana Genro reafirmou a sua política de descriminalização do aborto. “As mulheres, quando grávidas, tem que ter o direito de escolher em ter o bebê ou abortar. Mas abortar em condições saudáveis e seguras. Eu fui mãe aos 17 anos e sei muito bem como é difícil criar um filho. E só quem pode decidir isso é a própria mulher. O aborto precisa ser tratado como uma questão de saúde, pois ele é praticado aos montes no Brasil. Criminalizar é tampar os olhos diante da morte de mulheres pobres que abortam em clínicas clandestinas. Por que as ricas tem dinheiro e pagam a sua clínica particular”.

Na próxima terça-feira será lançado o “Comitê Universitário da Campanha de Luciana Genro Presidenta” na Universidade de Brasília, as 18h. O objetivo é reunir todos aqueles que querem apoiar a candidatura de Luciana Genro nessas eleições e repercutir suas ideias para mais jovens do Distrito Federal. Aguarde a confirmação do local. Esperamos tod@s para construir juntos!

Luciana Genro em Brasília 230

*Paola Rodrigues é jornalista e do Juntos! DF

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