Elizângela, Jandira, somos todas clandestinas!

27/set/2014, 11h09

*Fabiana Lontra

28 de outubro é o dia da luta pela descriminalização do aborto na América Latina. Enquanto aqui pertinho, no Uruguai, esse dia pode chegar com a certeza de que os direitos das mulheres estão assegurados, aqui no Brasil ainda há muita luta para nós, feministas. Esse mês, dois casos de mortes por aborto inseguro foram amplamente noticiados na grande mídia. Elizângela pagou 2,8 mil reais por um aborto em uma clínica clandestina. Morreu com o útero e intestino perfurados. No local, encontraram medicamentos de uso veterinário. Jandira também pagou um preço alto pelo seu aborto, também morreu durante o procedimento e, por fim, teve seu corpo queimado.

Esses dois casos foram notícia, mas a realidade é que, a cada dois dias, uma mulher morre vítima de aborto inseguro no Brasil. Mulheres pobres, que tomaram chá, compraram remédios de um desconhecido na rua, que usaram agulhas de tricô, que foram em clínicas – verdadeiros açougues. Mulheres que nunca tiveram informação nem acesso à educação sexual, métodos contraceptivos (que falham, sim, muitas vezes), mulheres desesperadas por não terem condições financeiras para mais filhos, já que o dinheiro é escasso, assim como vagas em creches públicas.

Por isso lutamos. A luta pela descriminalização do aborto é sim uma luta pela vida. Com o exemplo do Uruguai de debate na sociedade, educação sexual, aborto seguro e acompanhamento psicológico, que resultou até na diminuição do número de abortos no país. Vamos às ruas no dia 28 por Elizângela, por Jandira, por nossas amigas, vizinhas, por todas que sofrem e agonizam caladas, ilegais. Na luta pelo nosso corpo, somos todas clandestinas!

*Fabiana Lontra é estudante de letras da UFRGS, do GTE do Juntos!RS e das Juntas

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