Estudantes de Guerrero: sua luta é nossa luta!

18/out/2014, 15h03

“Están en algún sitio / nube o tumba / están en algún sitio / estoy seguro / allá en el sur del alma /

es posible que hayan extraviado la brújula / y hoy vaguen preguntando /

preguntando dónde carajo queda el buen amor / porque vienen del ódio”
Mario Benedetti

Era 26 de setembro, quando cerca de 80 estudantes da cidade de Iguala, sul do México, viajavam de ônibus a fim de coletar fundos para pagar a escola – atividade comum frente à realidade da educação rural mexicana- porém, no meio do caminho um verdadeiro massacre e ataque armado viriam a acontecer, trazendo à tona a relação promíscua entre governos e grupos criminosos, resultando em seis mortos e vinte feridos.

Como se não bastasse, os homens – que após uma investigação, fruto da pressão popular, identificados como policiais municipais – também deixaram desaparecidos outros 43 estudantes. Especulou-se até mesmo que 28 corpos carbonizados encontrados em valas, cerca de uma semana após o ocorrido, fossem dos estudantes, porém a investigação não foi conclusiva e ainda nada se sabe sobre o paradeiro dos jovens.

Isso levou a muitos jovens que se sentiam como aqueles a irem pra rua e iniciarem uma onda de protestos e manifestações que tem ganhado mais vulto e apoio popular que tem se radicalizado – chegando ao ponto de colocarem o Palácio do Governo de Guerrero em chamas- ganhando apoio inclusive entre organizações de trabalhadores organizados que declararam greve e o movimento ameaça até tomar as prefeituras do Estado, denunciado ao mundo a situação extrema de submissão da população de Guerrero a esta lógica onde o estado e o crime organizado se relacionam umbilicalmente.

O prefeito de Iguala, José Luis Abarca permanece foragido, e já foi a público que possui grandes ligações com o grupo criminoso “Guerreiros Unidos”. A violência contra as manifestações é grande.

Casos como esses não são exclusividade nem no México e nem em outras partes do mundo. O caso lembra, por exemplo o que vemos acontecer na cidade do Rio de Janeiro, onde milícia, corrupção e governo, fazem do povo pobre refém cotidiano.

Muito se sabe que o principal gerador de violência é a desigualdade. E num país onde o capital tem encontrado grande espaço para o seu desenvolvimento, isso não seria diferente. Apesar de ser um dos países que mais cresce economicamente, o México é o único na América Latina onde o salário mínimo é inferior à linha da pobreza, deixando 40% da população sem o necessário para sobreviver.

Assim como a juventude do mundo, que na sua versão brasileira ocupou as ruas contra o sumiço do ajudante de pedreiro Amarildo, os estudantes de Guerrero também não se calaram. A indignação e a mobilização tomou conta da região, mais de 30 mil jovens foram ás ruas protestar em uma das últimas manifestações gigantescas. Pais e colegas dos desaparecidos seguem na luta, não somente nas caravanas para encontrar os corpos dos estudantes, mas principalmente para cobrar justiça.

Em defesa dos estudantes, da soberania dos povos e dos direitos humanos, o Juntos! presta total solidariedade a população de Guerrero. Seguimos perguntando onde estão os estudantes mexicanos e encorajando a luta do povo e da juventude, apostando que é ela que muda o mundo!

Por Cindy Ishida do Juntos! Nas Escolas e Fabiana Amorim – Diretora de Movimentos Sociais da UBES pelo Juntos!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017