Para você que ainda não decidiu seu voto: vamos de Luciana Genro?!

02/out/2014, 14h30

*Por Nathalie Drumond

Antes não gostava muito de eleição. Falo do ponto de vista individual, subjetivo mesmo. Porque do ponto de vista político, considero as eleições uma forma de pressão política importante e necessária. Apresentar, eleger candidatos para defender e para fazer valer nossos direitos é valoroso. Mas, confesso que me animo muito mais com o agito do povo na rua.

Como militante do PSOL, ser confundida com a pilantragem que impera na política era ofensivo. Mas, a população tem motivos para achar que política é só sacanagem. A maioria dos políticos e partidos fazem valer este argumento, não é mesmo? Mas, as coisas foram se modificando. E eu também fui mudando de ideia sobre eleições. Em 2012 tivemos uma ótima experiência na “Primavera Carioca” – disputa da prefeitura do Rio encabeçada por Marcelo Freixo (PSOL). No início da eleição de 2014 quase que voltei a odiar as eleições novamente. Oh, eleição chocha! Mas, enfim, tudo se agitou.

E, eis que estamos nós, há poucos dias da data da votação. Incrível como a candidatura da Luciana Genro ganhou força entre muita gente desconhecida, e entre os conhecidos que se mantinham céticos e descontentes. Nesta semana, uma senhora veio até mim e me pediu o adesivo da Luciana que estava colado em meu peito. Queria estampar sua bolsa com aquela candidata que havia reascendido sua esperança na política. Eu não tinha outro pra dar, arranquei o meu único. As frações de segundos que durou o gesto de tirar o meu adesivo do peito para colar no dela valeram pelos últimos 90 dias de campanha. Nunca vi aquela mulher. Mas temos um laço forte agora, um projeto político muito bem vocalizado por Luciana Genro, que com certeza vai reascender a vontade de muita gente de lutar por seus direitos.

Pois então, eu decidi que quero criar esse vínculo com todo mundo que puder. Sacudi a poeira e arrisquei algumas palavras para convencer alguns jovens indecisos a votar “50” neste domingo (05/10).

Em noites passadas, me peguei pensando “o que eu preciso dizer para convencer um jovem que pretende votar em Dilma, Marina ou Aécio a votar na Luciana?”. Daí eu me arrisquei:

|Jovem que vota no Aécio| – esse é mais difícil de entender. Não vejo alguém dizendo, “eu voto no Aécio porque ele é o melhor…”. Só me veio à cabeça um tipo de jovem que leva uma vida difícil e que acha que os governos do PT (do Mensalão, do Dirceu, do crescente aumento no custo de vida) são os únicos responsáveis por isso. Não importa muito, na verdade, em quem ele está votando: o que vale é tirar o PT. O voto na urna será seu “V” de Vingança.

Também deve ter aquele ou aquela jovem que sonha em ser um empreendedor, que quer ter seu próprio negócio e ter algum conforto na vida. A princípio não há nada de errado nisso. Quem gosta de sofrer todo dia! A não ser que você, em nome deste projeto, entre na onda do “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Com esse último perfil de jovem muito individualista é mais difícil manter o diálogo. Com os demais perfis eu gosto de debater, mas gostaria de dizer: tudo bem que você odeia o PT, mas não dá pra trocar o sujo pelo mal lavado. Para que todos melhorem de vida é preciso enfrentar os interesses econômicos e políticos dos 1% de privilegiados deste país. Para ampliar os direitos da maioria da população. O Aécio em hipótese alguma vai contrariar estes interesses.

|Jovem que vota na Marina| – 50% deve ser pelos mesmos motivos de quem vota no Aécio. Daí que hoje ela tem mais chances de tirar o PT, então logo… Se você é desse tipo, dê “ctrl+c e ctrl+v” nos argumentos acima.

Os outros 50% é de gente que acredita que ela pode significar mudança pra valer. Ex-seringueira, defensora da natureza, tem um monte de artista bacana apoiando. Mas, amigo, não se deixe iludir! Essa não escreve o que fala. Dizem por ai que seu programa de governo é escrito a lápis, assim dá pra mudar ao sabor da ocasião. Fora seus compromissos explícitos com o capital financeiro, com os banqueiros e especuladores, através de seu apoio abnegado à autonomia do banco central, entre outros gestos. Sabe aquela história dos 1% de privilegiados, eis eles ai novamente. Há quem diga que a Marina é a nova política… do PSDB. Na hora de votar, analise criticamente quem são os aliados de primeira ordem dessa candidata, você acha que mesmo comprometida com gente da índole de Malafia, com banqueiros e ruralistas, ela vai fazer valer os direitos da maioria do povo? Você já deve ter visto esta história no país, teve gente (de nome que começa com “L” e termina com “ula”) que prometeu fazer tudo diferente, porém na hora “h” honrou os compromissos com seus financiadores – banqueiros, megaempresários, empreiteiras… E o povo entrou pelo cano.

|Jovem que vota na Dilma e no PT| – eu sugeriria dar “ctrl+c e ctrl+v” no que falei para o Aécio e Marina, trocando – claro – as siglas. Mas vou insistir em argumentos. Os jovens que conheço que votam na Dilma na maioria das vezes foram acometidos pela epidemia do “voto no menos pior”. Esse é um tipo de virose que ataca os portadores de título de eleitor na reta final da eleição. Ou ainda, jovens que têm familiares petistas e viveram toda uma infância acreditando neste partido. Esse jovem tem medo de tempos mais sombrios. Sabe que o PSDB é a treva. Mas para falar a verdade, o PT tampouco lhe inspira muita confiança.

Eu entendo que você tema que as coisas piorem. Mas, vamos concordar, eles tiveram 12 anos para fazer diferente. O que será que aconteceu? Falta de tempo, ou foi mesmo falta de vontade de romper com certos interesses para respeitar a vontade da maioria do povo? Eu acredito que Lula, Dilma e o PT se adaptaram à forma tradicional de se fazer política. Apostam hoje no toma lá da cá. Rifam bandeiras históricas, Marina não é única que rescreve seus compromissos com a população LGBT. Lembram de Feliciano? Acho que já falei por aqui: para que todos melhorem de vida é preciso enfrentar os interesses dos 1% de privilegiados deste país. Para que, enfim, os 99% gozem de seus direitos. Dilma também não está disposta a romper o contrato com essa casta de privilegiados. Se você espera mudanças profundas nas condições de vida (salário, emprego, serviços públicos, igualdade e respeito) precisa votar naquela que de fato está disposta a contrariar interesses. É impossível governar para todos, mas é possível governar para a maioria. Mas, como último argumento, você ainda me diz que Luciana Genro nunca poderá governar sozinha porque não tem apoio no Congresso Nacional. 2013 mostrou que o povo na rua pode mais. Se você der esse passo, é mais um na base de apoio!

Por fim, tem aqueles que ainda pensam em anular ou se abster na eleição. Se você não acredita neste sistema político, mas acredita nas ideias defendidas por Luciana, dê seu voto! O crescimento eleitoral da Luciana tem um recado claro, significa que as bandeiras que defendemos estão mais fortes. Quanto mais gente declarar seu voto nela, mais visibilidade ela terá. E essa corrente de esperança e vontade de mudança poderá atingir e contaminar definitivamente os tantos descrentes que ainda não estão conosco. Eles podem mudar de ideia quando, através de você, puderem conhecer nossa candidata e consequentemente nossas propostas! Este não é apenas uma aposta eleitoral, é um projeto de mudança que precisa se fortalecer em cada canto, em cada mente. Vale a pena votar 50!

Mas, se depois de tanto trolololó, você ainda não se convenceu, você tem uma última chance: assista Luciana e tire a prova dos 9. Duvido que você terá coragem de declarar voto em outro candidato. Deixo aqui um videozinho, para instigar sua curiosidade.https://www.facebook.com/video.php?v=824207967624106

Saudações,

Thalie

P.S.- Eu não falei do Eduardo Jorge. Sei que muita gente tende a votar nele por posições progressistas no tema das liberdades civis, mas deixo um único argumento: suas relações com a direita brasileira são de longa data. O cara é engraçado, mas não é piada o fato de ele ter sido secretário do Kassab (PSD). De gente comédia, o inferno está cheio!

*Nathalie Drumond é do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos

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