LGBTTfóbicos não passarão!

09/out/2014, 21h22

*Erick Andrade

Fico imaginando quantos mais serão necessários para que o Brasil reaja à homolesbotransfobia; quantos LGBTTs apanharão, morrerão para que o Brasil largue mão dessa omissão. Todos os dias podemos ver nos noticiários (não necessariamente nos grandes canais de mídia, que preferem se omitir) casos e mais casos de violência contra a comunidade LGBTT, verbal e física. Seja em casa, no trabalho, na escola, na universidade, na rua, em terrenos baldios, em bares… A LGBTTfobia não escolhe local, nem hora, só escolhe suas vitimas. Gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis sofrem com o retrocesso que acompanha o conservadorismo e os fundamentalismos.

Na última terça-feira (7) um bar em Brasília foi palco de mais um caso de homofobia (veja aqui). Três garotos foram agredidos verbalmente e espancados por serem gays. Que crime há nisso? Desde a hora em que chegaram ao bar, os três garotos e uma menina, irmã de um deles, foram gratuitamente agredidos verbalmente pelos seis agressores, que estavam na mesa ao lado. “Vamos acabar com esses chupadores. Bibas não tomam cerveja, tomam no cu”, dizia um dos agressores. O que se seguiu foi uma série de murros e pontapés, que acabaram por quebrar a mandíbula de uma das vítimas (o garoto ainda se encontra hospitalizado, impossibilitado de falar e comer, aguardando uma cirurgia). Nenhum dos presentes prestou ajuda. A gerência do bar também se omitiu.

homofobia

Por mais que crimes como esse sejam comuns, é inimaginável pensar que seja algo natural – e ninguém deveria! -, eu fico chocado. Fico triste porque aconteceu, mas também porque sei que para muitos é normal, ou pior, aceitável. Fico triste quando penso que, apesar de serem cada vez mais frequentes, casos como esse não comovem grande parte da população, nem os ditos “nossos” representantes no Congresso e no Senado Federal, em sua maioria, conservadores e fundamentalistas que jogaram o PLC-122, que criminaliza a homofobia, pra baixo do tapete.

Lembro do exemplo do Chile, que após a morte de um jovem homossexual, Daniel Zamúdio, sancionou uma lei contra a homofobia. O caso de Daniel (que deu nome a Lei) chocou e comoveu o país, que clamou por justiça, e uniu governo e oposição em prol da causa LGBT. Quantos LGBTTs no Brasil são brutalmente assassinados e viram apenas mais um nas estatísticas? A criminalização da LGBTTfobia é uma necessidade latente no Brasil e no mundo! Não é uma questão de privilégios, é uma questão de garantia de direitos! Direitos fundamentais e legítimos, negados à população LGBTT pelos setores mais reacionários da sociedade.

Sigamos na luta por direitos. Sem retrocessos e sem omissão! Tem lugar pra LGBTT sim, sem preconceitos e sem ódio. Ser LGBTT! Ser LGBTTfóbico não.

*Erick Andrade é coordenador de Diversidade e Gênero – DCE/UCB e militante do Juntos! DF.