Sobre o debate da Globo: 1% é uma ova. 50 no dia 5 de outubro!

03/out/2014, 13h10

* Pedro Serrano

Tanta coisa que eu queria falar sobre o debate de ontem! Mas não tenho tempo para escrever. Pontuo rapidamente apenas o que realmente não posso deixar de falar:

– Levy Fidelix chegou desmoralizado no debate. Seu semblante de nervosismo extremo, quase espumando, era o retrato do fascista quando este se vê acuado pela resposta daqueles que despreza. A luta LGBT e a consciência, que avança, de uma parcela expressiva dos brasileiros, fez com que a derrota acachapante deste traste no debate da Globo tenha sido um dos processos mais pedagógicos da eleição.

– A política se politizou e se polarizou após junho. Ficaram para trás os debates insossos. As posições ficam mais claras e o espaço para a esquerda se amplia. Everaldo é um fiasco. Eduardo Jorge, em suas inconsistências, insuficiente. Aécio, um charlatão, é desmascarado em série por Luciana Genro. Dilma, comprovando que o espaço se abre à esquerda, é obrigada a vir para este lado (no discurso) sempre que quer se destacar. Mas sua máscara cai diante da primeira pergunta sobre a legalização do aborto (que resposta vergonhosa!) ou das verdades apontadas por Luciana, de que o PT, assim como os tucanos, também privatiza, também se corrompe, também faz alianças com a direita. Marina, desidratando, é a vítima de querer ser o que tenta ser justamente numa eleição mais politizada. Quem não escolhe lado, cai no fosso.

– Mil e uma coisas gostaria de falar sobre a Luciana Genro. Que orgulho! Como, em tão poucos minutos, tanta coisa coube num único debate? Nossa candidata soube falar de dívida pública, taxação de fortunas, legalização das drogas, corrupção, direitos. Conseguiu colocar contra a parede cada um dos três irmãos siameses – Dilma, Marina e Aécio -, além de depenar Fidelix. Teve uma frieza incrível para enfrentar toda tentativa de desestabilização machista! Vejam: logo na primeira pergunta, Levy colocou no centro de um debate “político” o “ex-marido” de Luciana. Em seguida, chamou a candidata do PSOL ao púlpito da Globo de maneira flagrantemente machista, também se referindo a ela como “mocinha”. Aécio, o burguês reacionário, ergueu o dedo em postura de autoridade contra Luciana, ordenando que ela não fosse “leviana”. Mas a candidata do PSOL, calmamente e com autoridade, impôs-se: “Você não levante o dedo pra mim”. Aécio abaixou. Essa cena entrou pra história.

1% é uma ova. 50 no dia 5 de outubro!

Pedro Serrano é do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos