Continua a mobilização pelos 43 estudantes mexicanos desaparecidos em Ayotzinapa

07/nov/2014, 21h10

Um mês e meio depois de 43 estudantes normalistas terem sido sequestrados no estado de Guerrero, no México, milhares de pessoas continuam marchando nas principais cidades em todo o país para exigir o imediato aparecimento dos jovens estudantes.

Nesta semana, foi realizada a terceira jornada mundial de manifestações civis após o desaparecimento dos alunos da Escola de Professores de Ayotzinapa, chamada por estudantes de mais de 70 universidades em todo o México, assim como por diversas organizações sociais. Estas 70 universidades permanecem paralisadas, como forma de apoiar os alunos da Escola de Ayotzinapa.

A marcha mais multitudinária foi celebrada na quarta-feira na capital mexicana e nela participaram milhares de cidadãos, em sua maioria estudantes, no trajeto que separa a residência oficial de Los Pinos [moradia do presidente] e o Zócalo [principal praça do México]. Também se juntaram ao protesto os familiares dos 43 jovens.  Com bandeiras mexicanas pintadas de sangue, estas milhares de pessoas entoavam palavras de ordem como “Vivos foram levados, vivos nós os queremos”, e “foi o estado!”, entre outros. Os manifestantes exigiram às autoridades mexicanas o aparecimento com vida dos normalistas, os quais foram atacados pelas policiais do município de Iguala em Guerrero, os quais operavam com grupos do narcotráfico na região.

Durante a manifestação, o poeta Javier Sicilla disse a agência Efe que apoia os jovens mexicanos, uma vez que “são a reserva moral” e “se o Estado não faz caso deles, eles têm todo o direito de exigir”.

“Espero que (o caso Ayotzinapa) seja a gota que transborde o vaso e promova uma transformação profunda do país”, apontou Sicilla, cujo filho foi assassinado em março de 2011 por um grupo do crime organizado.

Em Guerrero, os protestos foram protagonizados por grupos de estudantes, professores e grupos de auto-defesa, que interromperam várias estradas. Entre elas a Rodovia do Sol, que une a capital mexicana com a cidade turística de Acapulco, e que ficou fechada durante mais de seis horas à altura de Chilpancingo, a capital do estado.

Além disso, continua a marcha “43 x 43. Nem um desaparecido a mais”, que desde a segunda passada está recorrendo o caminho entre Iguala e a capital mexicana, um ato organizado pelo Conselho Estatal de Organizações (CEO), integrado por associações civis de quase todo o país.

Através de um comunicado, o dirigente deste coletivo, Pepe Alcaraz, disse que marcham para reclamar não só pelos 43 estudantes, mas também por aqueles que apareceram em fossas clandestinas e cuja identidade se desconhece. “Os milhares de desaparecidos têm nome e famílias. E onde estão os jovens? Na mão de quem nós mexicanos estamos?”, assinalou o organizador desta marcha na qual 43 pessoas caminham, apadrinhando a cada um dos 43 estudantes.

Esta jornada ocorreu um dia depois da detenção do ex-prefeito de Iguala, José Luis Abarca, e sua esposa, María de los Ágeles Pineda, em um domicílio da capital mexicana.  Ambos são considerados autores intelectuais dos assassinatos e do desaparecimento, ao serem os mandatários de um município que estava dominado pelos Guerreros Unidos, um grupo criminiso que surgiu em 2009 depois da divisão do cartel dos irmãos Beltrán Levya.

PAIS: “Dizer sem certeza que foram mortos é uma forma de tortura!”

Nesta sexta-feira, o procurador Geral da República Jesús Murillo Karam informou que três suspeitos detidos teriam confessado o assassinato e a incineração dos corpos dos normalistas. Contudo, familiares dos estudantes desaparecidos relutam em confiar na declaração do procurador. “O Procurador Murillo Karam assinou 10 compromissos, mas não cumpriu nenhum. Ele não nos mostrou nada. Sair dizendo que testemunhas dizem que mataram 45 normalistas desaparecidas, sem qualquer certeza é uma forma flagrante de tortura dos pais”, disse um dos pais.

“Não podemos aceitar alguma verdade sem prova ou evidência” , disse a mãe de um dos jovens. “Eles querem engavetar (…), mas nós dizemos que os estudantes estão vivos e assim o esperamos”.

“O procurador disse que colocaria a tecnologia mais atual a nossa disposição para que nós os encontrássemos, mas não cumpriu com a palavra” disse um dos pais. “Se não bastasse essa hipótese de que eles se encontram em fossas, de que eles se encontram mortos; agora dizem que eles foram calcinados e que assim é impossível identificá-los” assinalou.

Basta de tanta inépcia, de tanta dor! É justo que se não podem, que o digam e que se retirem. Já os mataram muitas vezes e vão matá-los muitas vezes mais, mas temos a segurança de que eles estão vivos.”, expressou.

“Estão brincando com uma situação dolorosa de 43 famílias”, disse por sua vez um dos companheiros dos estudantes da Escola Normal Rural.

“Nós, pais, não aceitaremos as hipóteses de que estão mortos, não vamos acreditar que eles foram assassinados enquanto não houver provas”, insistiu Felipe de la cruz, outro pai.

Perfil de 10 estudantes

O El País fez uma seleção de perfis dos alunos, baseados em entrevistas com familiares: Professores ou mártires

Fontes: La Jornada, Latinos Post, 20minutos

 

 

 

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017