#Faltan43 no México e no Brasil.

23/nov/2014, 21h07

Grupo de Trabalho Nacional do Juntos!

O #44 poderia ser qualquer um. Na Rocinha, passando por Porto Alegre chegando a Chacina de Belém.

Poderia se chamar Douglas, Amarildo, Cláudia. O mais provável é que ninguém soubesse seu nome, apenas se tinha antecedentes criminais ou não. A certeza que estampava a pobreza em seu rosto. Um número na estatística.

O genocídio contra a juventude pobre não é uma exclusividade brasileira. São jovens como os nossos: colombianos, mexicanos, africanos, entre tantos. Seu crime é ter nascido pobre.

O desaparecimento de 43 jovens há dois meses, em Iguala no México, é mais um capítulo dessa trágica novela. Porém, pela mobilização dos pais e da sociedade civil, o caso ganhou notoriedade internacional, tomando as ruas e as redes fazendo setores como a Anistia Internacional se pronunciar. O país vive uma comoção nacional. Dia 20 de novembro aconteceu uma paralisação nacional de solidariedade. Se mobilizaram centenas de milhares de pessoas por todo o México, ocupando o Zócalo, pedindo em alto e bom som “Vivos os levaram, vivos os queremos”.

A ação global ganhou simpatia e apoio de artistas, intelectuais, esportistas e ativistas, como prêmios Nobel da Paz , o grupo Calle 13 e o jogador Chicharito Hernandez. No Brasil, vários grupos e coletivos fizeram atos no consulado, palestras, eventos, etc. Entretanto, ainda não é o suficiente. Nosso país precisa se pronunciar de forma mais contundente a respeito. Como em outros momentos, a diplomacia brasileira pode convocar seu embaixador e pode ter papel importante pra pressionar o governo. O “Novembro Mexicano” guarda laços com o nosso Junho Brasileiro. O ativismo de todos que foram as ruas, hoje devem ser solidário aos #43 do México. Precisamos popularizar essa pauta no conjunto da militância e dos movimentos sociais, para mostrar ao mundo que Ayotznapa não está só.

No dia 26 completam dois meses do desaparecimento dos jovens estudantes de Ayotznapa. Será organizada uma jornada internacional de luta. Aqui no Brasil, vários grupos da esquerda combativa já se postularam para ser parte das manifestações. Vamos exigir que o governo brasileiro se posicione contra o governo narcocapitalista e assassino de Peña Nieto, um governo que responde por graves violações de direitos humanos. Dessa forma, estaremos juntos com a juventude mexicana!