Milhares de irlandeses protestam contra cobrança da água: “Água para a vida. Não para o lucro!”

03/nov/2014, 16h28

A água de torneira na Irlanda sempre foi tratada como direito gratuito a ser assegurado pelo Estado, até este ano. A introdução do pagamento para água é parte de um programa de austeridade exigido pelo Fundo Monetário Internacional, União Européia e o Banco Central Europeu.

As cobranças de água, que deverão ser enviadas às famílias em janeiro de 2015, serão entre 176 euros e 500 euros, dependendo do tamanho da casa.

Milhares de pessoas protestaram em Dublin, no mês de Outubro, demonstrando sua raiva pelo plano. A situação resultou em uma campanha contra a cobrança, que acabou levando à eleição de dois candidatos anti-austeridade ao Parlamento Irlandês.

No último sábado, mais de 120 000 pessoas saíram às ruas de várias cidades da Irlanda para protestar contra esta cobrança, segundo informou a rádio estatal RTE. Em Dublin, Cork e em outras partes da ilha houve centenas de atos simultâneos.

Tratam-se das manifestações mais massivas desde que o governo iniciou a política econômica acordada com a Troika.

Alguns irlandeses ironizam a cobrança, dizendo que eles vivem em uma ilha, rodeada por água, com reservas subterrâneas, e ainda sim precisam pagar por uma água que, em muitos lugares, não são purificadas adequadamente. Outros em Ringsend, Dublin, disseram à BBC que acreditam que não devem pagar taxas para algo que já é gratuito e pago através de outros impostos. Os manifestantes em geral acusam os novos gestores do fornecimento de água de desperdiçá-la e acreditam que eles querem privatizar este serviço público.

Em Dublin, Martin Kennedy disse que ele estava participando dos protestos porque ele queria enviar uma mensagem para o governo.

“Principalmente, as pessoas estão aqui hoje sobre as tarifas de água, mas na verdade trata-se de austeridade. Nós simplesmente já não aguentamos mais”, disse ele.

Anita Stanley, que participou de uma manifestação na capital com a mãe, também expressou sua frustração com a política do governo.

“Eu sou uma jovem viúva, como a minha mãe Ann, e nós estamos aqui apenas para dizer que já pagamos (tirbutos) o máximo que podemos”, disse ela. “Nós não podemos dar ao luxo de dar mais.”

Eamonn Campbell, conhecido como um guitarrista irlandês com grupo de música folclórica The Dubliners, também estava entre os manifestantes.

“Não é apenas por causa das tarifas de água, é sobre todos esses impostos que foram forçados pelos mais ricos, tanto na Irlanda e na Europa, e jogado nas costas dos mais necessitados”, disse ele.

“O que aumenta nossa raiva é que há cerca de um ano, nós não podíamos beber nossa água da torneira, por causa da presença do inseto cryptosporidium nos tanques. Tantas pessoas em Galway ainda não têm confiança na água fornecida, preferindo comprar garrafas d’água. Então, irrita ainda mais o governo nos pedir para pagar por ela. Eu não vou pagar e  nem quero saber do argumento do por que cobrar pela água”, disse Dette McLaughlin, que mora em Galway, ao jornal britânico The Guardian.

Falando à TheJournal.ie, o conselheiro (uma espécie de vereador) de Dublin South, Gino Kenny disse que não tinha visto uma multidão tão grande em um protesto desde 2003, quando pessoas marcharam contra a guerra no Iraque.

“A atmosfera de raiva é grande hoje. Muitas pessoas têm participado de protestos em todo o país. Este é apenas o início de uma campanha muito maior. Não podemos perder o impulso bem agora  quando as pessoas precisam estar juntas “, disse ele, acrescentando que os números que apareceram hoje são uma indicação de que o” governo está em apuros “.

Uma nova jornada de atos foi anunciada para o dia 10 de dezembro.

Fontes: Diário da ManhãLa Tercera, BBC e TheJournal.ie

 

 

 

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