Nota do Juntos Belém sobre a chacina na periferia da cidade.

05/nov/2014, 14h02

Ontem foi mais um retrato das proporções que a violência tem tomado. Em Belém, quase todos ficaram sabendo de notícias relacionadas a assassinatos nos bairros da periferia depois de constatada a morte do o cabo da PM Antonio Figueiredo também conhecido como “ Pety”.

Foi reproduzido um grande sentimento de terror, onde grupos de extermínio estariam “fazendo uma limpeza” em quem estivesse nas ruas durante a noite. A situação se generalizou, e um grande sentimento de pânico foi expresso principalmente nas mídias sociais.

Infelizmente, as notícias se concretizaram com a confirmação de nove mortos nos bairros da Terra Firme e Guamá principalmente, periferia de Belém. Mortes sem sequer alguma justificativa, com características de execução. Assassinatos onde as vítimas têm classe e raça definida. Um crime onde uma das principais causas também é a ausência do governo do estado e da prefeitura de Belém. Vemos que as propagandas de “Cultura da paz” nos bairros têm servido para alimentar o ódio e repressão por parte do estado, onde projetos como esses criminalizam a juventude e querem resolver o problema através da força.

Sabemos que as necessidades são outras, e vivemos num bairro onde não há perspectivas de vida, principalmente para a juventude, que fica a mercê da criminalidade. Investimentos em educação, saúde, cultura e esportes, entre outros, não são prioridades, e a única solução apresentada é sempre proposta de aumento do número de policiais militares nas ruas.

Também convivemos com grupos de extermínio nas periferias, que não são novidades por aqui. Em Belém, assim como em várias partes do Brasil, esses grupos, que por vezes também são compostos por policiais ou ex-policiais, causam o terror nas periferias, e cumprem um papel de “juízes” que podem decidir vida ou morte aos habitantes. UM ABSURDO!

Também sabemos que a profissão que os praças (policiais de baixa patente) da PM exercem é de fato uma profissão de risco, e existem policiais que também se indignam com isso, proporcionando um estouro de uma greve dos praças da PM, a pouco tempo, reivindicando melhores salários, condições de trabalho e segurança, trazendo também a pauta da desmilitarização, onde problematizavam o papel opressor da polícia e da ação da mesma nas periferias. Greve totalmente criminalizada pelos grandes meios de comunicação que servem a esses governos, levando a um logo processo que finalizou com a demissão de vários PM´s que se colocaram a lutar por mais direitos.

O bairro da Terra Firme, apesar de criminalizado pelos jornais sensacionalistas, é um lugar onde moram trabalhadores que sobrevivem do seu suor, jovens que sonham com um futuro melhor, talentos, dançarinos, cantores, e vários artistas, que estão as margens dos investimentos do governo, e que por serem negros e pobres são diariamente criminalizados.

Não podemos permitir que mais um caso seja arquivado, ou então passaremos a levar esse acontecimento na memória, situação que a cada dia passa a ser naturalizada. NÃO PODEMOS NATURALIZAR ESSE FATO.

Por isso, reiteramos nossa solidariedade as famílias das vítimas e exigimos que as autoridades, Governo do Estado do Pará e Prefeitura de Belém, apurem o ocorrido e responsabilizem os culpados pela chacina. Basta de guerra aos pobres e à juventude negra da periferia.

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