Se no palácio o ajuste de Dilma começou, nas ruas seguimos lutando por mais direitos!

10/nov/2014, 15h12

NOTA DO GRUPO DE TRABALHO NACIONAL DO JUNTOS!

Se no palácio o ajuste de Dilma começou, nas ruas seguimos lutando por mais direitos!

A juventude não pode pagar a conta da crise

Depois de um segundo turno polarizado, Dilma mostra como deve ser o seu segundo mandato. O governo federal acaba de anunciar que fará um “rigoroso” ajuste fiscal, começando com o aumento da taxa básica de juros (SELIC)¹, que corresponde a quanto maior a taxa, maior o compromisso orçamentário para o pagamento de juros e serviços da dívida pública, sacrificando assim as “despesas” fundamentais como saúde, educação, infraestrutura etc. Ou seja, amplia os compromissos com os banqueiros, especuladores e grandes capitalistas, desviando investimentos em demandas básicas.

Completando o pacote de medidas, também foi anunciado ontem, 8 de novembro, um estudo para ainda este ano um pacote de cortes em despesas sociais como o seguro desemprego, auxílios doença e abonos salariais². Que representa em mais arrocho aos direitos trabalhistas conquistados pela luta dos trabalhadores. Tudo isso para garantir o lucro dos bancos que contrastam com o aumento dos lucros dos bancos privados que somente entre janeiro e setembro cresceram 27%³ em comparação ao ano anterior.

Dilma anunciou em conversa com jornalista que essa deve ser a prioridade número zero do novo governo. Junto disso, a gasolina e o dieesel aumentaram. Em breve será a anunciada a nova tarifa de energia elétrica. Como bem expressou o jornal Folha de São Paulo, porta-voz prioritário dos interesses da burguesia paulista, onde afirma em seu editorial que Dilma será um governo do tipo “violino”: se pega com a esquerda mas toca com a direita. O novo ministro da Fazenda deve ser um homem vinculado ao capital financeiro, sendo cogitados banqueiros como Trabuco[ Bradesco] e o velho Henrique Meirelles.

Além disso, temas questionáveis como a corrupção foram colocados pra debaixo do tapete. Acordo entre as bancadas de PT e PSDB se desdobra na não investigação dos envolvidos no escândalo da CPI da Petrobrás, não chamando envolvidos em ministérios e parlamentares de ambos os partidos.

O governo e sua bancada mascaram o que há de essencial na política e querem que a juventude e os trabalhadores paguem mais uma vez a conta da crise. O aumento do preço do combustível, como exemplo, pode ter efeito cascata, aumentando o transporte público- que foi o estopim da rebelião de maio em Porto Alegre e no Brasil inteiro, desaguou nas Jornadas de Junho.

Isso significa também que vai faltar dinheiro para a educação pública, salários dos professores, programas de habitação, melhorias no sistema de transporte. Sem falar que Dilma prometeu no auge das mobilizações de Junho, um “pacto” para melhorar o serviço público. Quem não se lembra das promessas da presidenta e do demagogo Renan Calheiros, defendendo passe-livre em todo país?

A única saída para termos mais dinheiro para garantir esses direitos é taxando os ricos e os banqueiros. Precisamos auditar a dívida, criar o Imposto sobre as Grandes Fortunas,  fazendo com que as 5 mil famílias mais ricas do país paguem a conta da crise.

Para arrancar mais direitos, democracia real, desmilitarização da PM, fim da guerra às drogas, os direitos civis LGBT, entre as outras pautas que foram incluídas como necessárias na política nacional, é preciso barrar os ajustes econômicos.

Não temos tempo a perder. O ativismo precisa se unir e se preparar para enfrentar tais medidas. Junto com a denúncia da chacina de Belém e apoios aos processos em curso, como a ocupação Zumbi dos Palmares do MTST, são pontos que precisam ser postos no centro do nosso enfrentamento.

Contra a direita, por mais direitos!

Não podemos deixar que a velha direita apareça como expressão do descontentamento popular, muito menos como alternativa para os nossos problemas. Vide o caso do ato dos filhotes da ditadura contra o memorial Luiz Carlos Prestes em Porto Alegre. Ou os estúpidos como Lobão insuflando a volta dos militares na Avenida Paulista.
Não vamos deixar a direita levantar a cabeça. Nossa resposta é nas ruas.

Chamamos a todos ativistas e setores para construir uma ampla campanha com o eixo de que a juventude não pode pagar a conta da crise e que somente com mobilização garantiremos mais direitos.

Vamos nos somar na convocatória que o MTST está fazendo para a marcha por reformas populares no centro de São Paulo no dia 13 de novembro. Vamos colocar nosso bloco, com bateria, nossas faixas, bandeiras, e militância para mais esse grande ato.

Em Porto Alegre, daremos a largada dessa campanha com um ato no dia 15 de novembro.

 

Grupo de Trabalho Nacional do JUNTOS.

 

¹ http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/10/29/juros-selic-banco-central-copom.htm

² http://www.otempo.com.br/capa/economia/governo-estuda-enxugar-seguro-desemprego-1.944403

³ http://www.brasildefato.com.br/audio/lucro-dos-bancos-privados-brasileiros-cresce-27-em-2014