#SomosTodosAyotzinapa: Informe direto do México para o Juntos!

29/nov/2014, 12h37

Thaís Coutinho

Após a morte dos 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa (México), os problemas existentes no país não mais puderam ser escondidos. A sociedade mexicana, e, em especial a juventude, tornou as ruas do pais um palco de mobilizações constantes.  A podridão dos governos e sua ligação com o narcotráfico ficaram expostas para o mundo inteiro. E as vozes  do povo mexicano ultrapassou as barreiras da fronteira do pais. As tentativas do governo em silenciar os jovens foram em vão. Nem mesmo os assassinatos os silenciaram. Pelo contrario, tornaram suas vozes ainda mais alta. Um dos principais problemas vivido no pais: a falta de segurança e de democracia são agora pauta central. A violência e autoritarismo do Estado estão expostos para o mundo.

Nesse novo quadro político, no aniversário da Revolução Mexicana, caravanas de várias partes do pais chegaram ao Zócalo, principal praça da capital (onde se localiza a sede do governo), que foi ocupada por milhares de mexicanos.  E após este grande ato, o clima de indignação segue pelo país. Em varias regiões, universidades e escolas seguem mobilizadas.  Na capital, o monumento histórico ” Anjo da Independência” acolhe constantes manifestações desde o 20N. Protestos que exigem o direito de se manifestar , como diz uma das palavras de ordem mais cantadas nos atos “Libertad! Libertad! Pelo direito de lutar!” No último dia 25, aproximadamente 2000 mexicanos, em especial os estudantes, atenderam o chamado dos pais dos jovens presos no 20n e realizaram uma grande passeata até a praça da constituição , onde fica o palácio do governo. Para os próximos dias novas manifestações estão sendo organizadas, com destaque para o dia 27 (2 meses dos assassinatos em Ayotzinapa) e dia 1 (dois anos de governo Peña Neto).

Acompanhar as manifestações aqui no México, nos lembra muito o que vivemos ano passado no Brasil. Apesar das especificidades de cada movimento, encontramos muitos traços semelhantes entre as Jornadas de Junho que fizemos em nosso país e as atuais manifestações Mexicanas. Durante a longa passeata  do Anjo da Independência a praça da Constituição, sentíamos presente “as vozes de junho”, em outro idioma, com outro sotaque, com outros rostos, mas com as mesmas pautas e indignação.

A indignação contra um governo que não atende às demandas e necessidades da população, a indignação contra os políticos tradicionais, a indignação contra a falta de democracia. A indignação da juventude e dos trabalhadores que a nada resta a não ser tomar as ruas mais uma vez!

Fotos do ato do 25-N

 

rpn

infme

fotome

 

 

Thaís Coutinho – Professora de História, diretora do SEPE/RJ e apoiadora do Juntos, direto da cidade do México.