Das Tarifas: BH na rota dos aumentos

28/dez/2014, 23h06

 *Por Thalles Sales

As “conquistas” quanto ao transporte público ganhas em 2013 já estão sendo levadas. Em São Paulo, o aumento que foi revogado em 2013 vem em 2014 somado ao deste último ano, se ano passado eram 20 centavos, este ano são 50, aumento de mais de 15%. Em Belo Horizonte, depois de reduzirem a tarifa em 2013, pouco depois anunciaram o aumento que “compensou” a redução anterior. Como se não bastasse, anunciaram no fim de 2014 aumentos médios de quase 13%. A inflação, que seria talvez o único “argumento” para defender o aumento das tarifas, ficou em torno de 6.5%. A diferença, vai, claro, para os bolsos dos grandes empresários, verdadeiros donos do transporte público, que deveria pertencer ao povo.10884154_819446354761122_219802654_o

Os investimentos em mobilidade urbana, anunciados pelos governos estaduais e federal como grande resposta às demandas populares de 2013, não passa de outra grande mentira, já que o que vem sendo feito é apenas a expansão das redes de transporte público. Mesmo que também benéfico para a população, esse tipo de investimento em mobilidade urbana beneficia realmente as empreiteiras que participam do processo de construção e os grandes empresários dos transportes, que aumentam seus negócios às custas de financiamentos e melhorias feitos com o dinheiro do contribuinte. E o mais importante: As empreiteiras e os grandes empresários do transporte beneficiados são os mesmos que financiam as campanhas dos candidatos dos partidos da ordem, incluindo aqui PT e PSDB. Os investimentos que buscam a expansão dos sistemas de mobilidade urbana vem acompanhados de aumentos na tarifa, nunca há redução, uma vez que a redução só beneficiaria o povo, e o povo não financia campanha.

Mesmo com a enorme fragmentação das pautas nas jornadas de Junho de 2013, houveram respostas dos governos por todo o país, sobretudo quanto às tarifas de ônibus nas grandes cidades. A maior mensagem, todavia, foi a da indignação, que acabou sendo útil quase que apenas para a direita, que tentou usar da revolta das ruas para atacar o governo petista e, indiretamente, a esquerda. É importante perceber, contudo, que a crítica ao governo federal deve sim existir. Ao adotar políticas que incentivam a compra de mais automóveis (como a redução do IPI e outros impostos) em detrimento dos investimentos em mobilidade urbana, o governo federal dá ao cidadão uma falsa sensação de progresso, fazendo-o acreditar que quanto mais carros tivermos nas ruas, mais progresso teremos.

Pobres são os que acreditam nessa falácia e aplaudem as renunciais fiscais – que chegaram a R$ 2.2 bilhões entre abril e dezembro de 2013 – sozinhos, dentro de seus veículos, presos no trânsito das 7 da manhã. Esses são os mesmos que são contra as ciclovias e os corredores de ônibus, são aqueles que acham transporte público “coisa de pobre”. Esses são maioria, e são contra eles que devemos lutar, ir às ruas e mostrar que o progresso de verdade existirá quando todos nós tivermos à nossa disposição um transporte público gratuito, de qualidade, que não é marginalizado ou tratado como mercadoria.9485_845019685559943_8502513748756262850_n

Amanhã, dia 29 de Dezembro, às 16 e 17 horas, acontecerão no centro de Belo Horizonte dois atos que darão início à luta por um transporte verdadeiramente público, que vai continuar em 2015. Vamos mostrar aos governos que seu maior credor de dívida eleitoreira é o povo! A luta por um transporte verdadeiramente público vai continuar em 2015, e iremos juntos mostrar aos governos que seu maior credor de dívida eleitoreira é o povo!

*Thalles é estudante do direito da Escola Superior Dom Helder Camara e militante do Juntos BH.

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