“Ferguson é aqui”: ato contra a violência policial mobiliza a juventude negra em SP

21/dez/2014, 22h12

*Luana Alves 

Em 9 de agosto desse ano, o jovem norte-americano Michel Brown foi assassinado por policiais brancos na pequena cidade de Ferguson. O garoto de 18 anos não tinha antecedentes criminais e estava desarmado. Michel, assim como Claúdia Silva, Douglas Rodrigues, D.G., Amarildo, e tantos outros, era negro e pobre. Esse é o alvo das forças de repressão por toda as Américas: a juventude negra, pobre, trabalhadora. Só os dados oficiais recentes oferecem uma dimensão dessa questão: desde 1995, mais de 10.000 cidadãos foram mortos só pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (contra 1190 policiais), em suposto conflito, ou “resistência à prisão”. Esses 10.000 assassinados e assassinadas têm cor, e o que o Estado faz com a população pobre e preta se chama genocídio.

Em julho desse ano, Eric Garner, também negro, foi a nova vítima, dessa vez do Departamento de Polícia de Nova York. Eric foi brutalmente morto, asfixiado por um policial branco enquanto proferia o grito entalado na garganta da população negra e explorada: “Não consigo respirar!”. O assassinato de Eric, e a absolvição do policial branco que o matou, despertou a indignação da população negra norte-americana, diariamente explorada pelas mais diversas formas. Os Estados Unidos vivem agora uma das maiores ondas de protestos dos últimos tempos, as ruas de Nova York foram tomadas por milhares de afro-americanos e anti racistas protestando contra um sistema judicial e uma polícia violentos e racistas.

No Brasil, a juventude negra também é explorada de várias maneiras. Em sub-empregos, trabalhos precarizados, gerando lucros aos patrões. Sem direito a educação, saúde e transporte de qualidade, que são negados aos bairros pobres e periféricos. O Estado só chega na forma de repressão, com uma polícia racista, que promove um massacre sistemático. Como nos Estados Unidos, a população brasileira negra segue resistindo, lutando contra o genocídio e as diversas injustiças que suporta.

Nesse último dia 18, o Juntos! se uniu a outros diversos movimentos sociais que se reuniram em São Paulo para protestar contra esse genocídio da população negra, marchando até a secretaria de segurança pública do estado de SP. Para mostrar aos afro-americanos que a luta é internacional. Para mostrar ao Governo Alckmin que não toleraremos mais mortes. A juventude negra resiste aqui e lá, não aceitaremos a exploração, a falta de direitos e a violência policial nos exterminando. Seguiremos em luta!

 * Luana Alves é estudante da USP e militante do Juntos! Negras e Negros

Foto retirada da Mídia NINJA