Milhões nas ruas: chega de genocídio nos EUA e no mundo!

13/dez/2014, 18h53

Tatiane Ribeiro*

Hoje foi mais um dia intenso de manifestações nos EUA. Empunhando cartazes com fotos de Eric Garner, Michael Brown e frases como “I can’t breathe” (“eu não consigo respirar, últimas palavras de Garner), “Justica 4All” (Justiça para todos), “Black lives Matter” (Vidas negras importam), “Hands up! Don’t shut” (“Mãos ao alto, não atire”), entre outras, essas pessoas querem dar um recado: não vão aceitar o racismo policial recorrente nos Estados Unidos.

Estamos falando de milhares, se não milhões, de pessoas em todo o território norte americano. Em Nova Iorque e em Washington, as fotos são realmente inspiradoras. As cidades pararam para deixar claro que não é mais possível aceitar o genocídio da população negra norte americana. Não é possível que se tenha mais pessoas como Michael Brown, assassinado sem ter reagido. Ou Eric Garner, morto por estrangulado por um policial, sem ter cometido sequer um delito. Qual o crime deles? Serem negros.

A situação do racismo nos Estados Unidos é bastante difícil. Por conta do Apartheid vivido no país, em que negros não podiam frequentar os mesmos lugares que brancos (lugares reservados nos ônibus, banheiros diferentes), o resultado foi a guetização desses negros, que se isolaram em bairros só deles. Mas, com a crise econômica, a verdade é que cada vez mais brancos estão se vendo obrigados a morar nos bairros negros (obviamente, pelo histórico racista e escravagista, também são os bairros mais pobres, junto com os bairros latinos). Então, a polícia, que sempre matou, passou a matar, a incitar, a perturbar ainda mais os negros.

Só que, dessa vez, a população cansou. Cansou de tanto sofrimento, tantas mortes. A verdade é que, desde os Panteras Negras, desde Angela Davis, não se via um movimento tão importante na questão racial no norte do nosso continente. E não parece que as pessoas estão disposta a ir para casa: ou se muda a política racial, ou muita coisa ainda vai rolar.

No fim, essas pessoas estão lutando por um sonho. Um sonho que ouvimos um grande homem dizer, em 1963, e que ainda não se realizou: “Tenho um sonho de que meus quatro filhos viverão um dia em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo teor de seu caráter”.

Martin Luther King Jr, PRESENTE. Malcon X, PRESENTE. Angela Davis, PRESENTE. Suas lutas não foram em vão: BLACK LIVES MATTER.

*Tatiane Ribeiro é do Grupo Estadual do Juntos SP e do Juntos! Negras e Negros