No Pará, a CPI das Milícias e grupos de extermínio dá inicio a seus trabalhos

22/dez/2014, 19h10

Por: Juntos Belém

Hoje, dia 22 de Dezembro, iniciou os trabalhos da Comissão parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a existência de milícias e grupos de extermínio e de possível envolvimento de agentes público sem vários crimes ocorridos em todo o estado do Pará.

Depois do assassinato do Cabo Figueiredo (conhecido como Pet), no dia 4 de Novembro, houve multiplicação de informações nas redes sociais sobre possíveis arrastões, ameaças de morte, e inclusive, um chamado no facebook publicado pelo perfil do Sargento Rossicley (ex-integrante da ROTAM) “convocando” os colegas de farda para dar “respostas” à morte do Pet. Se houve envolvimento de policiais, não se sabe ainda, mas o fato é que nesta noite homens encapuzados assassinaram 10 jovens nas periferias de Belém. O acontecimento mobilizou a sociedade civil, onde vários movimentos sociais atuaram para denunciar as mortes e uma das deliberações foi exigir uma CPI que investigasse caso, pois há anos chacinas parecidas vêm ocorrendo no Pará. Com muita mobilização e pressão, aproposta de CPI protocolada pelo Dep. Estadual Edmilson Rodrigues (PSOL) foi aprovada e instalada.Já na apresentação do documento de inicio de investigação foi relatado que a chacina do dia 4 de novembro é apenas mais um caso entre vários já corridos anteriormente, onde, só na região metropolitana de Belém já conhecemos a chacina de Icoaraci e do Tapanã, que tinha participação de policiais militares.

Além dos fatos ocorridos em Belém, foram relatados também vários casos de envolvimentos de soldados do alto escalão da PM assim como vários parlamentares de municípios do interior do estado que, ou estavam envolvidos, ou patrocinavam pessoasque tinham envolvimento com trafico de drogas e grupos de poder paralelo que causam terror e impõe medo a população. Os dados apresentados também mostram que os municípios da região metropolitana de Belém são um dos mais perigosos, tendo Belém, Ananindeua e Marituba um dos índices de assassinatos mais altos do país.

Não podemos deixar que crimes como estes continuem com sua autoria desconhecida e fiquem na eterna suposição. Não podemos reproduzir a logica de que existe uma guerra entre bandidos e mocinhos, ou entre policiais e bandidos, mas algo mais complexo que tem subtraído vidas.  Infelizmente, em vários casos onde existe o envolvimento de PM´s que na maioria das vezes estão em posição de liderança dentro da estrutura da policia militar, estes se utilizam deste modelo herdado da ditadura militar para impor o discurso de guerra às drogaspara reproduzir a ideia entre os próprios policiais (que em sua maioria não são envolvidos) de que se precisa fazer uma limpeza aos “bandidos”.

Muitos PM´stambém são, ou vieram da periferia, também são pobres e negros, têm questionado essa lógica de modelo de segurança pública, e, inclusive, estes mesmos policiais estiveram no inicio deste anolutando por mais direitos fazendo uma forte greve de praças da PM. São esses trabalhadores que precisamos ganhar para o lado dos movimentos sociais, e que não podemos deixar que a falsa ideia de “guerra aos bandidos” os faça enxergar aqueles que defendem os direitos humanos como inimigos. Essa falsa guerra infelizmente tem mais do que nunca reproduzido a violência e vitimando várias vidas de jovens da periferia, assim como a morte de vários praças da PM em seus postos de trabalho.

Nós do movimento juntos, assim como vários movimentos sociais do Pará, estaremos acompanhando as investigações dessa CPI, pois é importante que a justiça seja feita, e que o estado saia dessa omissão.  Chega de jogar pra debaixo do tapete os casos de “limpeza” étnica e social que têm ocorridos no estado do Pará. Os autores dos assassinatos e todos os envolvidos precisam de fato ser responsabilizados pelos crimes há anos cometidos contra a juventude da periferia.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017