PERU: Contra a precarização do trabalho, a juventude peruana sai às ruas

19/dez/2014, 18h42

Charles Rosa

Na última quinta-feira, as ruas de Lima foram tomadas por milhares de jovens peruanos em resposta à promulgação da Lei 30288, a qual retira uma série de direitos trabalhistas de quem está na faixa etária de 18 a 24 anos. De acordo a nova legislação aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Ollanta Humala, os empregados do setor privado ficaram sem Compensação por Tempo de Serviço, gratificações, auxílio-familiar e seguro de vida, além verem reduzidas para 15 dias o tempo de férias.

A flexibilização e precarização do emprego juvenil no Peru estão sendo aceleradas num contexto de retração econômica. Ollanta Humala mais uma vez vira às costas para quem o elegeu e sinaliza para o grandes patrões de que podem contar com o governo neste momento de dificuldades para exportar. Na visão de Humala e seus aliados burgueses, está na hora de cortar “custos”, que “nada mais são” do que direitos historicamente conquistados pela classe trabalhadora peruana ao longo de décadas de lutas.

Logo, não sem motivo, milhares de universitários e jovens empregados(possivelmente afetados por mais esse avanço neoliberal no país) se concentraram na Praça San Martin, próximo ao palácio presidencial. A maior parte dos cartazes e das palavras-de-ordem, segundo atestam os jornais do país, veiculavam frases do tipo “Abaixo a lei de exploração”, “Que Humala se vá!”, “Que os empresários paguem a crise” e “Lei Escravista”.  O ato, organizado por diversos organismos populares e juvenis, transcorreu sem problemas até que as forças policiais da Capital resolvessem dispersá-la com o covarde método de repressão, chegando a atropelar um estudante.

Esta nova batalha em defesa dos direitos do povo peruano aparenta estar apenas no começo. Conforme a declaração da Frente Patriótico (pólo de oposição à esquerda do governo Humala), a juventude e o povo “devem continuar a luta até que a lei 30288 seja revogada, ampliando seu alcance a nível nacional, para o qual urge a criação de um espaço de centralização que incorpore as organizações e grupos de jovens que estão mobilizados hoje”.

FONTES: Diario Correo, El Comercio, Frente Patriótico

Charles Rosa é estudante da USP e do Juntos!