Resultado das eleições de DCE e os novos desafios para o Movimento Estudantil da UNICAMP

13/dez/2014, 19h24

*JUNTOS! Unicamp

Aconteceram entre os dias 2 e 5 de dezembro as eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UNICAMP. A vitória da chapa “Nada Será Como Antes”, composta por estudantes ligados a juventude do PC do B e PSDB, com apoio de setores do PT, nos traz uma série de reflexões e desafios a respeito da construção do movimento estudantil dentro da universidade no próximo período.

Se é certo que o ano que vem será mais duro, tendo em vista as previsões para o cenário econômico, político e ambiental, é fato que o M.E. na UNICAMP terá que se reorganizar por completo, já que sua principal entidade estudantil será gerida por uma juventude que é a representação estudantil dos governos federal, estadual e municipal, na contramão das reivindicações construídas nas ruas. Ao que tudo indica, essa chapa baseada num “acordão” tende a minar a tradição de luta do movimento estudantil.

Isso é evidente primeiramente pela forma como essa chapa expressa a própria composição da prefeitura de Jonas Donizette (PSB), em Campinas, em que o vice-prefeito é Henrique Magalhães Teixeira (PSDB), contando com Sérgio Benassi (PC do B) a frente da Secretaria de Transportes, todos eles responsáveis pelos aumentos da tarifa de ônibus que levou a juventude campineira para as ruas em Junho do ano passado e que hoje responde processo criminal por ter enfrentado a prefeitura e lutado por transparência e melhorias no transporte público da cidade.

Além disso, a chapa tem relação direta com o campo da direção majoritária da União Nacional dos Estudantes (UNE) que, através de métodos burocratizados, tem afastado essa entidade das principais tarefas e lutas que a atual conjuntura nos coloca, a partir do adesismo às políticas do governo federal.

Entendemos que uma série de estudantes votaram na chapa “Nada Será Como Antes” a partir de uma vontade de mudança e arejamento do movimento estudantil e do DCE. Entretanto, cabe identificar que o discurso utilizado por essa chapa, de “renovação” do movimento estudantil, na verdade não tem nada de novo, mas sim, possui uma relação profunda com as práticas dos partidos da ordem, relacionadas tanto às últimas denúncias da Operação Lava a Jato, à nomeação dos novos Ministérios, quanto à crise hídrica vivida no Estado de São Paulo, tendo em vista a participação de governistas e tucanos nessa chapa.

De nossa parte, temos toda a energia e disposição para organizar a oposição de esquerda e seguir ocupando os espaços da universidade e as ruas na luta por mais direitos. O debate que organizamos com Luciana Genro e contou com a presença de mais de 3000 pessoas na UNICAMP mostra o espaço e a força da juventude indignada, bem como a vitalidade de uma nova esquerda, combativa e coerente, diferente do que se vê a cada quatro anos, com as ilusões vendidas pela “esquerda sazonal” petista que estão em ruínas.

Por isso achamos necessária uma atuação unitária de todas e todos que consideram fundamental a organização coletiva dos estudantes, tanto para reorganizar o movimento estudantil da UNICAMP no próximo ano, como para enfrentar os ajustes dos governos e aprofundarmos a luta pela água e pelas reformas políticas necessárias em nosso país. Vamos juntos fazer com que 2015 seja um novo ano de lutas, dentro e fora da universidade!

 

 

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017