Todo dia é dia mundial de luta contra a AIDS. Previna-se. Estamos Juntos Pela Vida.

01/dez/2014, 11h50

Richard Callefa

Cá estamos: despossuídos de nós mesmos e ensinados a contemplar o descontrole sobre a epidemia da AIDS no Brasil. Hoje temos ao final de uma incerteza: Uma certeza. A certeza de que o governo Dilma está dormindo de forma bastante tranquila, enquanto, mais de 12.000 mortes são registradas por ano no Brasil. E, este sono profundo do governo, nos fez ficar cada vez mais dispersos e espoliados. Talvez ainda perdidos diga respeito aos dados epidemiológicos. Entretanto, cabe afirmar: Jamais resignados!

Pois a juventude que vai pras ruas lutar por mais e melhores direitos, não considera mais tabu fazer e falar sobre sexo. Essa juventude que falar comentar e descobrir quais são as melhores formas de prevenção, a maneira mais adequada de se utilizar o preservativo.

A cada duas horas, três pessoas morrem de AIDS. São mais de 33 mortes por dia no Brasil. É inadmissível que ainda dezenas de pessoas se infectem pelo HIV pela falta mínima de prevenção, várias ainda morrem sem diagnóstico ou sem tratamento. As inúmeras mortes registradas nos faz crer que a AIDS continua sendo epidêmica, aguda, grave e mortal.

Para se ter noção da insuficiência do programa brasileiro de combate à  AIDS, basta analisar o número de mortes proporcionalmente à população brasileira. A taxa de mortalidade de AIDS por 100 mil habitantes em 2012 (último dado disponível ) foi de 6,2 Óbitos. Há sete anos, em 2006, a taxa era menor: 5,9 por 100 mil habitantes. Desde o ano de 2001, quando o Brasil registrou 10.942 mortes ( o menor patamar da história) o número de mortes aumentou ou estacionou em altíssimos patamares. Em algumas regiões  a situação é ainda mais dramática. Na região Norte, de 2001 até hoje, o número de mortes por AIDS aumentou 4,1 vezes. No Sul, a epidemia já é considerada generalizada, tamanha a incidência de HIV na população. Da mesma, hoje a taxa de novos casos de AIDS no Brasil está, injustificadamente, nos mesmos patamares de 1996.

Todo ano, quando se aproxima o dia mundial de luta contra a AIDS (1º de dezembro)  o Ministério da Saúde  divulga dados “comemorando” a “estabilidade” do número de mortes. Trata-se de manipulação da realidade por meio da divulgação seletiva de dados absolutos. Nos dias de hoje, essa suposta “normalidade” do quantitativo de mortes é inaceitável. Em 1997, no primeiro ano após o inicio da distribuição do coquetel de medicamentos anti-HIV na rede pública, 12.078 pessoas morreram de AIDS no Brasil. Quinze anos depois, na contramão do que tem acontecido em vários países , o número de mortes no  Brasil não reduziu, é exatamente o mesmo: foram 12.078 mortes em 2012. Tais números demonstram a falência múltipla do programa brasileiro de AIDS, que não soube aproveitar os conhecimentos  e as tecnologias existentes no mundo, deixou de investir em prevenção e piorou a quantidade da assistência na rede pública. Todos as evidências mostram que as pessoas que têm acesso ao teste  de HIV, recebem o diagnóstico no tempo oportuno e iniciam o tratamento adequado, apresentam uma expectativa de vida próxima de pessoas não infectadas pelo HIV. Pois no Brasil, por negligência da política pública, as pessoas  com HIV apresentam risco de morrer 10,7 vezes maior que a população geral brasileira. Os dados mundiais comprovam que o Brasil esta parado na contramão. Em 2013, o UNAIDS ( programa de AIDS das Nações unidas ) anunciou a redução do número mortes por  AIDS em todo o mundo, de 1,9 para 1,6 milhões de mortes por ano entre 2001 e 2012.

Por tudo isso, é preciso ter uma ousadia grandiosa para formulações que efetivamente ofereçam à população condições pra se proteger da infecção  e do adoecimento por AIDS, respeitando a autonomia dos cidadãos, reduzindo vulnerabilidades e assegurando direitos.

Logo, então, nós militantes do Movimento juntos que somos usúarixs do sistema único de Saúde – SUS denunciamos a situação em que se encontra a saúde pública no Brasil, em especial a que se refere às DST/HIV/AIDS.

Grande parte das mortes por AIDS no Brasil está relacionada ao diagnostico tardio da infecção pelo HIV. Uma a cada cinco mortes por AIDS ocorre antes da pessoa com HIV completar um ano após o diagnóstico. Para esses cidadãos, que não tiveram a oportunidade de fazer o teste e iniciar  o tratamento, a AIDS é uma sentença de morte, tal como era na década de 1980, quando não existia tratamento.

A ofensiva conservadora do governo Dilma, marcado pelas suas alianças espúrias com setores reacionários e fundamentalistas religiosos e conservadores ao extremo, censurou e não retomou campanhas dirigidas às populações mais vulneráveis a exemplo das LGBT’s e profissionais do sexo. Em especial, as meninas Travestis e Transexuais, populações que, por serem discriminadas e terem seus direitos excluídos e violados., tem maiores taxas de infecção pelo HIV e mortalidades.

Contudo, todxs nós somos parte da solução. Mias do que dormir e sonhar, queremos construir a muitas mãos um Brasil livre da AIDS. Vamos continuar lutando pelo direito básico de viver com qualidade e dignidade, pelo direito constitucional à saúde e pela defesa do sistema único de Saúde – SUS pleno e que garanta a política nacional de enfrentamento a AIDS. Estamos juntos pela Vida.

Chega de retrocessos! Presidente Dilma, não deixe o programa de AIDS Morre!

Richard Callefa, militante do juntos e coordenador Estadual do Movimento LGBT No Pará.

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017