Um ministério escandaloso

24/dez/2014, 09h47

Thiago Aguiar

A lista de novos ministros do governo Dilma divulgada no começo da noite confirma o que já estava claro desde o anúncio da “Troika” da Economia composta pelo neoliberal Levy, Tombini e Barbosa responsáveis pela aplicação do ajuste, o mesmo que, segundo acusava o PT na eleição, seria feito por Marina ou Aécio a serviço dos banqueiros e “para tirar a comida da mesa dos brasileiros”. Desde então, os juros já subiram duas vezes, para alegria da banca internacional, foi anunciado um ajuste da ordem de R$ 100 bilhões e ontem, da voz da própria Dilma, soube-se que a Caixa será privatizada.

Os nomes do dia mostram um governo de joelhos para o fisiologismo, a corrupção e a velha política. Não é preciso ouvir a nem um minuto de escutas telefônicas ou de delações premiadas para saber que a rota da corrupção começa no financiamento de campanha e, na estrada rumo aos contratos bilionários, às propinas e aos lucros exorbitantes, há uma imensa praça de pedágio: o loteamento de ministérios, secretarias e cargos em estatais que são as engrenagens deste regime político falido e do modelo capitalista de administração pública. Não é só cara de pau. É escárnio: em meio ao bilionário roubo na Petrobrás, Dilma decide não apenas repetir como ampliar o modelo notabilizado pela operação Lava Jato. O ministério inteiro é o escândalo!

Para falar em nomes, eis alguns:
1) na Agricultura, confirmada a rainha da motosserra Katia Abreu, neodilmista fiel após suas passagens por PFL/DEM, PSD e PMDB (o que fará o MST a respeito?);

2) nas Cidades, Gilberto Kassab, o prefeito da especulação imobiliária, da higienização social e das máfias. O esquema de Aref em São Paulo é ensaio de teatro infantil perto do que poderemos assistir no próximo período. Kassab será ministro após o ano mais intenso de luta por moradia e reforma urbana no país, protagonizado pelo MTST;

3) no Esporte, após as lutas por conta da Copa em 2014 e depois do Bom Senso F.C. enfrentar as máfias paraestatais no Esporte, sai Aldo Rebelo (que vai para Ciência e Tecnologia) e entra… um pastor da Igreja Universal e filiado ao PRB chamado George Hilton;

4) na Educação, será empossado um dos donos do PROS e líder de clã político do Ceará, Cid Gomes. Como governador, notabilizou-se pela truculência contra reivindicações de estudantes e de professores e por dizer que os últimos deveriam trabalhar por amor e não por salário;

5) nas Minas e Energia sai Edson Lobão, mordomo da família Sarney, e entra Eduardo Braga, do mesmo PMDB. O partido continua assim comandando a pasta sob cujas ordens estão a Eletrobrás e… a Petrobrás.

Poderíamos mencionar ainda o filho de Jader Barbalho na Pesca, os bonecos que o PMDB colocou na Aviação Civil, no Turismo, os possíveis nomes de Antonio Carlos Rodrigues (do PR e do famoso “centrão” da Câmara de Vereadores de SP) para os Transportes e de Armando Monteiro, da CNI, para a Indústria. Mas não é necessário. Vejam a lista: qualquer um dos confirmados ou cotados caberiam num governo de Aécio ou de Marina. Dilma, “coração valente”…

Este ministério é uma provocação a todas e todos que foram para as ruas nos últimos anos lutar por mais direitos. Uma ofensa a quem acreditou na pirotecnia mentirosa e canalha de João Santana e da cúpula do PT na campanha, acreditando legitimamente impedir a eleição de um governo tucano e seus ataques aos direitos.

Mas, sobretudo, este ministério é a comprovação da falência de um governo que nem começou, mas surge dos escombros de um regime político apodrecido, buscando sustentação no que ele já produziu de pior. Dilma está de joelhos diante do capital financeiro e da velha política. O PT, fica mais uma vez claro, é o sócio majoritário do condomínio político armado para organizar a pilhagem capitalista do que é público e garantir os negócios da burguesia no Brasil. Mais uma vez fica a certeza: 2015 será um ano de luta contra este governo e sua política de ajuste, seus ataques aos direitos e seu modus operandi corrupto. A saída é nas ruas e pela esquerda!

 Thiago Aguiar é do Grupo de Trabalho Nacional