Às Ruas, 2015!

13/jan/2015, 13h40

Nessa última sexta, dia 9, aconteceu a primeira onda de manifestações no Brasil em 2015. Dezenas de milhares ocuparam as ruas, e, mesmo com um início tímido em algumas cidades, dia 9 foi uma demonstração de que as mobilizações contra a tarifa e contra o abuso de poder dos empresários com o qual convivemos diariamente vão ganhar cada vez mais adeptos.

Em São Paulo, a repressão policial, mesmo que condenável, só serve para fortalecer a nossa luta. A cada demonstração de truculência dessa polícia fascista e militarizada, o povo fica mais ciente de que os grandes empresários , verdadeiros donos dos governos, têm medo do povo, e que não o querem nas ruas. O que por sí só já é motivo para todos nós tomarmos o espaço do povo e mostra-los de quem o poder verdadeiramente emana.

Em Belo Horizonte, o evento “Praia da Estação” reuniu mais de 2 mil pessoas na Praça da Estação. Um evento irreverente, o Praia da Estação levou o povo a ocupar a praça pública com fins recreativos, e aí está uma das chaves para nossa luta. A politização desse tipo de movimento é fundamental, pois a ocupação das ruas e das praças públicas é um direito do povo, assim como o transporte.

Um transporte “público” que é focado em maximizar o lucro dos empresários com ônibus lotados e que só opera com o objetivo de nos levar da casa para o trabalho e do trabalho para casa (para que assim alimentemos o sistema) nos priva do nosso direito à cidade. Tarifas cada vez mais altas afastam os jovens – especialmente os da periferia – da cidade, os garantindo apenas a oportunidade de ir à ela para trabalhar, e isso, claro, quando conseguem ser empregados com todos seus direitos trabalhistas assegurados.

Como já foi dito anteriormente, devido aos recentes ganhos de voz da direita, nossa luta se ampliou. Agora nossos inimigos não são apenas os empresários que dominam o transporte, ou o governo e polícia fascistas. Agora também temos de lutar contra as falácias criadas pela direita, que tentam desmoralizar os movimentos arguindo que o “apoio da esquerda” à presidenta Dilma nas últimas eleições torna nossas manifestações contra o aumento incoerentes.

É impossível para aqueles da esquerda coerente, como o Juntos e o PSOL, não se indignar com as diversas traições da presidenta Dilma e do PT, seja no apontamento dos novos ministros ou nos anúncios de corte nos direitos trabalhistas e educação. A indignação da esquerda com o PT, todavia, não elimina a certeza de que tudo seria muito pior com um governo de direita como o PSDB. Aliás, os governos estaduais e municipais que aprovaram os aumentos têm muito mais responsabilidade que o governo federal nessa questão, governos estaduais esses que eram até o fim de 2014 do PSDB em São Paulo e Minas Gerais, e do PMDB no Rio de Janeiro.

Não nos deixemos enganar pelo discurso daqueles que não querem ver o poder nas mãos do povo, discurso esse que é amplificado pelo poder econômico de poucos e pela ignorância de muitos. Iremos tomar as ruas novamente em 2015, e a redução das tarifas – ou a tarifa zero – serão apenas as primeiras pautas a serem conquistadas. 2015 será marcado pela mobilização do povo contra os abusos do capital, a corrupção, a violência policial e a intolerância. Povo esse que também marchará em favor da reforma política, do transporte verdadeiramente público de qualidade, do amor e da liberdade.

Na próxima quinta, dia 15, o Juntos BH se reunirá para discutir sua intervenção no próximo ato que ocorrerá na sexta, dia 16, em Belo Horizonte, assim como em todo o resto do país, onde teremos mais atos, que, a exemplo de 2013, serão ainda maiores, a cada dia que passa. O Juntos convoca todos a participarem dessa luta que é do estudante, do trabalhador, do desempregado e de todos mais, pois, assim como nas jornadas de Junho, é muito claro que tudo isso vai muito além daqueles “poucos” centavos.

*Por Thalles Sales, estudante de direito da escola superior Hélder Câmara, militante do Juntos BH

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