Eu não consigo ir em manifestações – relato de uma militante secundarista

16/jan/2015, 15h04

*Por Sophia Tagliaferri

Todo mundo que faz parte da política, seja participando de uma organização ou não sabe como é fantástico participar de manifestações, passeatas, atos. Enfim, lutar na rua pelo que nós acreditamos. Eu sempre acreditei que na rua nós conseguimos fazer as grandes transformações no mundo.
E, além de nós militantes de esquerda que queremos combater as injustiças e lutar por mais direitos, a polícia e o governo sabem que na rua conseguimos fazer estas grandes mudanças. Por isso, no dia 15 de Outubro de 2013, tive meu primeiro contato com a repressão. A famosa “dispersão do ato”. Há uma grande diferença em dispersar um ato e tentar ferir, machucar e traumatizar os manifestantes. Mas, para a grande mídia e para a maioria das pessoas, essa “dispersão do ato” ocorre de maneira cauteloso e calculada, muito diferente da realidade, onde o governo ensina a policiais abusarem de suas armas “não letais”.
Depois do dia 15O, comecei a desenvolver um certo pânico em estar nas manifestações.
É muito difícil ser estudante de escola, participar de manifestações, plenárias, enfim, do movimento político. Não que não valha a pena, cada bomba de gás lacrimogêneo as vezes nos fortalece ainda mais. Eles querem nos calar, mas eles não vão conseguir fazê-lo. Além das manifestações, que são fundamentais, outros métodos para divulgar ideias e ideais são muito úteis. Aprendi que construindo o grêmio na escola, escrevendo textos, participando das reuniões e conversando com os amigos nós mudamos muita coisa, além da rua.

Hoje (16.1) está marcado um ato contra esse aumento absurdo na tarifa de ônibus. Se você é secundarista, tem medo da repressão, não se cale! Participar das manifestações é o melhor jeito para mostrar que esses mesmos que mandam bombas, balas de borracha e tentam nos atingir não conseguem reprimir nossas ideias, nossos ideais! É claro que muitos amigas e amigos meus nem podem aparecer em atos, porque a repressão é tanta que as vezes os pais ficam preocupados, mas estes que não podem comparecer, divulguem suas ideias na internet!

A indignação que nos faz lutar por mais direitos, ninguém consegue calar. Nosso grito por justiça, nosso grito por educação, nosso grito contra as opressões. Eles jamais calarão.

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*Sophia Tagliaferri, militante do Juntos Nas Escolas de SP