Governo, crise e a luta dos trabalhadores!

30/jan/2015, 18h09

Presidência e parlamento brasileiros tem dado respostas escancaradas de que, quem mais uma vez deverá pagar pela crise econômica, resultado da ‘super financeirização’ das estruturas de trabalho será o trabalhador. Com a sanção da chamada mini reforma previdenciária, mais de 2 milhões de trabalhadores deixarão de ter acesso aos direitos trabalhistas. Como se não bastasse, o Ministro da Fazenda Joaquim Levy (ex- diretor-superintendente do Banco Bradesco), declarou que “o seguro- desemprego no Brasil está ultrapassado” e que o Brasil deve seguir as tendências mundiais como a da China e EUA de diminuição de custos de produção para reajustes dos preços e melhora da demanda, e assim ganhar a confiança dos investidores globais.

Em outras palavras, o Ministro afirmou que nós, trabalhadores, estaremos vendendo nossos direitos trabalhistas aos grandes investidores, estaremos pagando a conta de uma crise econômica financeira que os governos mundiais insistem em não assumir.
Na prestação de serviços públicos vemos o sucateamento da saúde pública e a tendência da privatização de mais um direito; as péssimas condições de mobilidade urbana e dos transportes públicos com aumentos extremamente abusivos; a precarização da educação e consequentemente a exploração do trabalhador, que saturado, presta esses serviços à população.
Na indústria e no comércio, temos jornadas de trabalhados esgotantes, salários cada vez menores, aumento no assédio moral e pressões psicológicas na cobranças de produção/ vendas que geram cada vez mais acidentes de trabalho e trabalhadores doentes.
No campo, temos a pressão ruralista para limitação do que entendemos por trabalho escravo, solicitando que a nova redação do Art. 149 do Código Penal, não contenha as condições de trabalho degradantes e as jornadas de trabalho exaustivas, como caracterização de trabalho escravo. Apoiado por Blairo Maggi, (ganhador do prêmio “Motossera de Ouro” do Greenpeace e senador pelo PR- MT), Luiz Henrique da Silveira (senador pelo PMDB- SC) e pelo relator da Comissão de Constituição Justiça e Cidadania, Vital do Rego (PMDB- PB), Romero Jucá (senador pelo PMDB- RR) é o autor de projeto de regulamentação para a nova legislação, que também exclui a chamada “lista suja”, utilizada publicamente como registro dos empregadores (rurais ou não) que já foram enquadrados no crime da promoção do trabalho escravo. A mudança conforme reivindicação da bancada ruralista vai para votação na Câmara dos deputados e posterior sanção, podendo gerar ainda mais exploração da mão de obra e restrição dos direitos trabalhistas.

O PT junto à seus aliados da velha política, é a maior traição que a classe trabalhadora poderia ter. À mesma altura dos assumidos partidos de direita, com seus ministros banqueiros e ruralistas, o PT camuflado de esquerda deixou pra trás há anos a luta pela emancipação dos trabalhadores, muito longe disso: tem tentando nos acorrentar a sindicatos vendidos, que negligenciam as verdadeiras reivindicações trabalhistas.
Nenhum direito a menos! Não aceitaremos a retirada de mais nenhum direito trabalhista. Não aceitaremos a venda de nossas vidas para o capital estrangeiro! Não aceitaremos o retrocesso do trabalho escravo em pleno século XXI! Não pagaremos por uma conta que não é nossa! Não pagaremos a conta da exploração sobre nós mesmos!
Nenhum passo atrás, junt@s somos todos trabalhadores!

por Tuany Gasparino, militante do Juntos Campinas!

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