III Manifestação contra o aumento das tarifas: apoio popular e ato vitorioso

21/jan/2015, 10h52

*Pedro Serrano

Uma coisa me chamou a atenção nos dois atos contra o aumento da tarifa em que estive até agora: o apoio popular à causa. É enorme.

Tanto no centro de São Paulo, como ontem, na Zona Leste, foi comum famílias saírem para fora de suas casas e aparecerem nas sacadas dos prédios para nos aplaudir. Até mesmo trabalhadores, no meio do serviço, como ontem os do McDonalds, o fizeram.

A ampla legitimidade dos protestos, que estourou em junho, segue vigente. Via de regra, o povo vibra ao ver os jovens nas ruas. E a causa de não aumentar o preço dos transportes é praticamente consensual. Sobretudo, num momento em que tudo aumenta (e se precariza) – a energia, a água, o imposto, a comida, a gasolina…

Até então, a PM vinha agindo da maneira mais arbitrária e truculenta possível. De modo orquestrado, forjava qualquer incidente isolado para poder massacrar brutalmente o conjunto dos manifestantes. A mídia, bastante mais orquestrada do que em 2013 (assim como estão mais afinados governo, prefeitura e os pelegos que os apoiam), repercutia na medida: maquiava o número real de manifestantes presentes e apenas contribuía, nas notícias, para jogar uma nuvem de fumaça sobre as manifestações. Sem poder defender abertamente a polícia, como antes já fez, ou afirmar que manifestação não é um direito (isso nem mesmo a PM consegue dizer depois de junho), contribuíam para construir uma imagem das manifestações como uma bagunça generalizada, um lugar perigoso em que polícia (truculenta) e manifestantes (vândalos) guerreiam. Não importa quem está certo: importa que quem é são não deve ir para rua. E assim não colocavam em pauta o que deveria estar: Haddad e Alckmin devem revogar imediatamente o aumento. A mídia burguesa é esperta.

Mas, ontem, a manifestação teve começo, meio e fim, e foi muito vitoriosa. Um passo importante.

Acredito que a luta de 2015 contra a tarifa seja bastante mais difícil de vencer do que a de 2013 (embora não impossível). Mas ela é tão importante quanto. Estamos abrindo uma jornada de lutas que será duradoura contra o cenário de ajuste que se impõe no Brasil, ampliado, em São Paulo, pela repressão e pelo caos generalizado nos serviços (vide a água).

Tenho concluído uma coisa simples sobre 2015 até agora: não está fácil ser manifestante (muita atividade e muita repressão). Mas não será fácil ser governante (Alckmin, Dilma, Haddad e todos).

*Pedro Serrano é do Grupo de Trabalho Estadual do Juntos

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