Quanto vale uma vida? Basta de assassinatos de LGBTs

08/jan/2015, 22h35

Ao final da incerteza: uma certeza. A certeza de que vivemos, sim, em estado de cultura machista, sexista, racista e LGBTfobico. Portanto, buscar uma DEScosntrução cultural nunca foi tão importante, urgente e necessário. Vomitar nossas hipocrisias pra transcender liberdade!

Na madrugada desta Quinta-Feira (08), no bairro de São Brás, em Belém/PA, uma mulher Travesti foi brutalmente assassinada com dois tiros nos olhos. De acordo com a polícia, testemunhas disseram que a vítima estava na carona de uma motocicleta quando foi cercada por um carro preto de onde surgiram os disparos que a atingiu no rosto. Uma LGBT, Negra, pobre e moradora de rua foi silenciada, aniquilada de forma covarde e desumana. Extermínio de uma voz que nunca teve oportunidade de falar. E, justamente no mês da visibilidade TRANS*. O único mês que fingirmos ser mais humanos e admitir que mulheres e homens Travestis e Transexuais são espancadxs, estranguladxs, cortadxs, degoladxs, fuziladxs, carbonizadxs e A-PE-DRE-JA-DXS todos os 365 dias do ano e nada é feito.
Há uma razão de ser assim, uma razão para este pensamento. De fato, a concreta CULTURA da intolerância exacerbada. Mas, pergunto-me, o que estamos fazendo pra DESconstruir o clichê totalmente estigmatizado da Mulher TRANS* e da Mulher Travesti, há aquela mulher, que, na verdade, enxergam como um homem erroamente vestido, parado em uma esquina, com batom vermelho borrado e esperando o próximo cliente.
Prostituição existe, existe mesmo, ninguém está negando isso; existe também entre homens e mulheres cujo sexo biológico não difere da identidade de gênero. O grande problema é a associação automática entre os dois fatos, parece não habitar no imaginário coletivo a real possibilidade de uma pessoa travesti ou Transexual ser médico ou médica, advogado ou advogada, professor ou professora de teatro ou até mesmo engenheiro ou engenheira.
No caso dos homens Transexuais, a desinformação é ainda maior. Muitas pessoas nem sabem a respeito da existência, nem sequer da possibilidade de existência.

Reconheço que politicamente ainda há muita desorganização do Movimento LGBT dentro da especificidade Trans*, ainda não há uma apropriação indevida dos espaços. Entendo também que isso se dá como um processo. Não é tarefa fácil colocar a cara no mundo e mostrar-se a partir de sua “Fraqueza”. Contudo, não adianta esperar que algo aconteça, que as políticas públicas caiam do céu e que a intolerância um dia se desnude. “Nada vem de graça, nem o pão nem a cachaça”.

Por tudo isso, apresenta-se para nós do Movimento JUNTXS a necessidade de organizar nossas meninas e meninos TRANS*. Mobilizar, para garantir a resistência de todxs às LGBT’s para encarar com radicalidade, força, fé e coragem os desafios ainda existente dessa sociedade machista, heteronormativa, Cisgênera, branca e LGBTfobica.
Repudiamos com veemência os atentados hediondos a população LGBT em Belém. Não irão nos silenciar. Não irão nos invisibilizar. Não entraremos para as estatísticas!

Nosso grito é um ataque libertário ao projeto conservador de sociedade!
Hoje e sempre, nossa luta é por um Pará sem LGBTfobia!

Richard Callefa, Coordenador Estadual do Movimento LGBT e Militante do setorial LGBT do Juntxs!