Rollemberg: PAGUE OS SALÁRIOS!

11/jan/2015, 17h29

*Ayla Viçosa e Juliana Selbach

 É estarrecedora a situação que vive o Distrito Federal. O governador Agnelo (PT) mergulhou, ao longo dos quatro anos de mandato, o Distrito Federal num processo de intensa crise social, marcada pelo fechamento de creches, greves e paralisações em diversas categorias de servidores e terceirizados, principalmente, transporte, saúde, cultura e educação. O descaso do governo foi enorme com o trabalhador ao não lhe pagar seus direitos básicos, como salários e 13° salário. Dessa forma, as categorias viram como única saída para a obtenção de aumentos salariais e reivindicação de seus direitos a realização de greves. Essa política foi resultado da forma como o PT (Partido dos Trabalhadores) decidiu governar o DF, aliando-se com o que há de pior na política da capital, de mãos dadas com Fillipelli (PMDB), virando as costas para a população e assegurando que rios de dinheiro fossem assegurados para a classe dominante local, seja pela via de nomeações para secretárias feitas de modo totalmente fisiológico, seja por contratos superfaturados que asseguraram que, enquanto o povo sofria, as elites daqui continuassem com os bolsos cada vez mais cheios.

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Infelizmente, em 2015, com mudança de ano e também de governo, a crise social vivida no final de 2014 parece ainda estar bem longe de terminar. A segunda semana do ano já foi marcada por mobilizações, atos e muita luta dos servidores da saúde e por professores, estes que, até agora, não receberam seu 13° salário e nem o pagamento referente ao mês de janeiro (e que ainda não possuem previsão de recebimento). O novo governador, Rodrigo Rollemberg (PSB) pede “compreensão” para os trabalhadores que não receberam seus salários – ao mesmo tempo em que os trabalhadores veem suas pilhas de contas aumentarem -, alegando que a atual situação “não é de responsabilidade” do governo atual. O governador eleito apenas se desculpou antecipadamente pelo que aconteceria, sendo que durante o período de transição nenhum diálogo com a população foi estabelecido para achar uma saída para essa crise anunciada, enquanto manteve reuniões com as grandes empresas que tem contratos com o Governo. Chegou a falar em auditoria da folha de pagamento dos servidores (!), mas em nenhum momento falou em revisão dos grandes contratos ou em auditoria dos gastos com o estádio Mané Garrincha, que consumiu cerca de R$ 2 bilhões, tornando-se o mais caro do Brasil.

Conclui-se, então, que os interesses do povo, principalmente a educação, não são prioridade para o novo governo. Atualmente cerca de 117 mil servidores do Distrito Federal encontram-se com atraso no recebimento dos salários.  O início das aulas das escolas públicas foi adiado devido ao caos que se encontra a educação – o que gera uma série de disparates, como a diminuição do tempo de preparo dos estudantes para provas importantes como vestibular, PAS e ENEM. Além disso, um possível aumento na tarifa do transporte público para esse ano já foi anunciado.

Os desfiles de Carnaval promovidos pelo GDF foram cancelados (sendo essa uma das principais atrações culturais para a população do DF) para redução de gastos e teoricamente priorizar o pagamento dos servidores, que na prática ainda não veio. Em contradição com esse corte de verbas para a festa popular, o atual governo manteve o contrato milionário da realização da Fórmula Indy, sem qualquer questionamento a seus termos, já que é uma “festa da elite” e desagradaria patrocinadores e organizadores de grande poder econômico.

Outro fato que nos indignou nesse início de ano foi que, após pressão da bancada fundamentalista da Câmara Legislativa do DF, Rollemberg suspendeu a criação da Subsecretaria LGBT, proposta inicialmente pelo seu governo. O DF é uma das unidades federativas em que mais ocorrem casos de opressão à LGBT. Precisamos da aprovação da lei 2615 (que pune casos de LGBTfobia no DF) e de um governo que preze pela defesa da laicidade do Estado e dos direitos humanos.

lgbt ato

Parece no mínimo contraditório que no final do expediente de 2014 da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), os deputados tenham votado seu próprio aumento de salário, e agora, em 2015, aleguem não haver dinheiro para o pagamento de tantos trabalhadores do DF. Para além de salários atrasados, o governo Rollemberg já anuncia a que veio. Ao que tudo indica quem certamente pagará a conta pelo rombo nos cofres públicos do Distrito Federal é o povo. Nem Agnelo nem Rollemberg aprenderam nada com as jornadas de Junho de 2013, que deram um recado claro para a população: nossa vitória não virá dos parlamentos, e sim do povo na rua, na luta por mais direitos. Assim como em diversos locais do país, o DF precisa se erguer em defesa dos trabalhadores que dão o suor em seu cotidiano para que tudo funcione por aqui.

Por isso, nós do Juntos! nos somamos às jornadas de atos convocadas pelas categorias em luta  e fazemos um chamado a toda a população do DF para na próxima terça-feira, às 10h, em frente ao Palácio do Buriti, comparecer no ato unificado dos servidores públicos do Distrito Federal. Em defesa dos trabalhadores e de nossos direitos, estaremos juntos!

*Ayla é estudante de Ciências Sociais da UnB e do Grupo de Trabalho local do Juntos! e Juliana é servidora pública do Banco do Brasil e do grupo sindical do Juntos!