“Nossos passos vem de longe” – por um movimento antiproibicionista mais feminista

14/fev/2015, 10h24

Gabriela Rizzo Pitton*

A cannabis sativa está na mídia. O tema sempre foi polêmico, mas silenciado e hoje, no entanto, ganhou as ruas e a pauta da legalização alcançou as manchetes dos jornais. Mas o que ainda não ganhou a repercussão necessária é a participação das mulheres no movimento.

Quando o tema é maconha, assunto não falta; e quando o assunto é maconha e mulher, vemos pouca informação. As mulheres são omitidas em qualquer movimento, oficial ou alternativo. Não que elas não fumem, plantem ou tenham argumentos interessantes, apenas não aparecem. Quando aparecem, muitas vezes são expostas como mais um objeto de desejo (e pode-se dizer de consumo, também) ao lado de plantas vigorosas ou berlotas suculentas, como no site Garotas 420, em concursos de Miss Maconha.

Existe uma relação muito próxima entre a pauta feminista e a pauta antiproibicionista; a masculinização dos espaços que lutam pela legalização, a falta de autonomia das mulheres na compra e viabilização do seu consumo (muitas vezes é um homem que faz a ponte entre ela e a compra ou entre ela e o bolar um baseado, por exemplo), a forma como mulheres que usam drogas são vistas e tratadas e a medicalização feminina (as drogas estimuladas às mulheres são aquelas que alimentam o encaixe nos padrões a elas destinados – tem que ser mãe, magra, feliz, bonita: antidepressivos, remédios pra dormir, pra emagrecer, etc.) – são fatos que comprovam como é importante que as mulheres comecem a serem protagonistas na luta.

E já que o assunto é o nosso direito de escolha, nossa liberdade sob a mente fica impossível deixar de lado a transversalidade entre os dois temas. A mesma, suposta, facilidade que os homens têm de conseguir sua droga deve valer para as mulheres. Nós também queremos modificar nossa forma de enxergar o mundo, mas sem o medo de ir na “boca” comprar e sem o preconceito sobre mulheres que fumam, que compram ou que plantam e, vale lembrar que só as fêmeas da maconha produzem a resina que tanto lutamos para libertar. Liberdade, portanto, para todas as fêmeas, sejam elas canábicas ou humanas.

Gabriela é estudante de Química do CAASO e militante do Juntos!

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