50 mil nas ruas de Curitiba contra a austeridade

26/fev/2015, 12h28

*Gabriel Zanlorenssi e Cindy Fucidji Ishida

Nesta última quarta-feira (25), mais de 50 mil professores e servidores públicos do estado Paraná marcharam pelas ruas de Curitiba contra as medidas de austeridade que o governador Beto Richa (PSDB) tenta impor. A mobilização também ocorreu no interior, onde outras 100 mil pessoas tomaram as ruas em diversas cidades.

A manifestação na capital partiu do centro da cidade rumo ao Palácio do Iguaçu, sede do governo estadual. Ao longo do caminho, os grevistas dialogavam com a população nas ruas, que retribuía demonstrando o forte apoio popular do movimento, entoando as palavras de ordem, jogando papéis picados dos prédios e expondo cartazes. Impedidos pela lei de aderir à greve, os policiais militares que faziam a segurança da marcha também exibiam seu apoio. Os policiais também são prejudicados pelas medidas austeridade e enfrentam a precarização imposta pelo governo à categoria.

pm

Ao chegar ao palácio de governo, a marcha se encontrou com acampamento montado no Centro Cívico, onde se concentra também a Assembleia Legislativa, ocupada recentemente, e o Judiciário paranaense. A movimentação era grande para pressionar o governo a ceder em uma reunião com as lideranças grevistas.

Em paralelo à marcha dos 50 mil em Curitiba, milhares de caminhoneiros também protestavam contra o governo de Beto Richa, responsável pelo aumento do Icms do diesel e do Ipva dos caminhões, e contra o governo federal. Nas duas manifestações, tinham mensagens de apoio de uma categoria à outra.

O governo cede à pressão

Ao final da reunião, os professores discutiram os avanços obtidos na rodada de negociações. O governo cedeu e propôs o pagamento do terço de férias e da recisão dos professores temporários e retomada dos cursos de formação. Porém, o governo tucano não abriu mão de assaltar a previdência dos funcionários públicos, o que ainda revolta os professores.

Está prevista uma reunião do comando de greve dos professores rede pública estadual para discutir os pontos apresentados pelo governo e convocar uma assembleia geral que pode votar a suspensão ou não da greve.

A greve geral no estado também se estende a outras categorias, que também têm suas rodadas de negociações com o governo em suas pautas específicas. Há ainda, a grave situação das universidades estaduais paranaenses, ameaçadas de grave precarização e até mesmo alguma forma de privatização já que o Governo não repassou as verbas de custeio e propõe autonomizar o orçamento. Seguem mobilizadas ainda diversas categorias, sem perspectiva de retorno às atividades regulares.

*Cindy Fucidji Ishida e Gabriel Zanlorenssi são militantes do Juntos/SP e correspondentes no Paraná.