Assistência à mulher da comunidade universitária: Nenhum passo atrás!

15/fev/2015, 12h39

Giovanna Ferreira Oliveira*

O quadro atual da universidade mostra um desmanche completo não só do ensino público, gratuito e de qualidade como também mostra que não se propõe a caminhar para frente, além de retroceder nos direitos já conquistados. Hoje a Universidade de São Paulo tem se proposto a discutir as formas de ingresso à universidade. Mas de que adianta querer debater acesso sem debater permanência?

Em 2013 e 2014 presenciamos diversos ataques à comunidade universitária do campus da USP São Carlos e à USP em geral. Com os gastos exacerbados da gestão Rodas, o atual reitor optou por um corte de gastos na Universidade e essa foi a gota que faltava pro copo começar a transbordar. Congelamento no quadro de contratações da USP, reajuste de 0% para os funcionários da USP, PIDV (Programa de Incentivo à Demissão Voluntária), etc.

O mais novo ataque à comunidade universitária foi o indeferimento de vagas nas creches. No campus de São Carlos, cerca de 20 crianças tiveram suas vagas deferidas em novembro. No entanto isso mudou às vésperas do início das aulas, quando algumas mães souberam que, por conta da crise orçamentária, nenhuma nova criança seria aceita neste ano. Mais uma vez, o corte de gastos resulta numa afronta aos direitos duramente conquistados. O custo de manutenção da creche é de R$12 mil/mês enquanto o auxílio, que a USP seria obrigada a pagar caso a creche seja fechada, é de R$700 – no total, para 80% dos usuários, o custo seria por volta de R$45 mil/mês!

No aniversário de 30 anos da creche, é fácil prever qual será o seu futuro. Com o impedimento da entrada de novos, já não há mais garantia alguma de que ela continuará existindo em alguns anos.

A creche é de uso de estudantes da universidade, professoras e funcionárias, e no caso de muitas alunas é uma questão essencial de permanência. Para as professoras e funcionárias foi o auxílio foi autorizado no valor de R$700, por se tratar de um direito trabalhista. Esse valor não cobre nem a mais barata creche privada da cidade, enquanto que as públicas estão superlotadas. Para as estudantes resta abandonar a universidade.

Em tempos de debate sobre direito ao corpo da mulher e legalização do aborto, o direito de escolha fica cada vez mais restrito. Mesmo quando a mulher escolhe ter a criança, não existe qualquer garantia de que poderá ter uma vida digna. Sou mulher e, se escolhe ter um filho, quero poder continuar estudando, com a certeza de que ele terá um local seguro ficar enquanto continuo meu curso. Demorei para conseguir o direito de estudar, e não vou aceitar que em 2015 uma mulher, uma mãe, tenha que abandonar os estudos porque não tem onde deixar o seu filho, ainda mais dentro de uma universidade pública e gratuita!

É uma questão de permanência, sim!

Nenhum passo atrás!

*Giovanna é diretora do CAASO e militante do Juntas!