Construir o “Junho da Educação” nas Universidades

07/fev/2015, 11h04

Resolução Seminário do JUNTOS! na Bienal da UNE – Fevereiro de 2015
A conjuntura política do país tem intensificado a indignação do povo com o governo de Dilma. O estado geral de eminente caos social, com a grave crise hídrica, energética e nos serviços públicos, somado às indicações dos Ministérios, à escandalosa corrupção na Petrobras, aos cortes de direitos trabalhistas e aos cortes de verbas, entram em real contradição com os anseios da luta por mais direitos. O Ministério da Educação foi o mais atingido, mostrando que aquele que foi o inimigo número 1 da educação pública no Ceará quando governador, Cid Gomes, continuará aplicando seu projeto de precarização em nível nacional. Diante da crise, está cada vez mais claro para a população que o segundo mandato de Dilma aprofundará um governo de benesses para os 1% e de ajustes e cortes para os 99%. Para os ricos, aumento de lucros, para o povo, cortes em direitos.

O espaço aberto por Luciana Genro nas eleições nos dá a tarefa de seguir construindo com mais radicalidade e qualidade a oposição de esquerda ao governo. Syriza e Podemos captaram a tarefa de construir alternativas de esquerda e seguem vencendo importantes batalhas de conquista do apoio popular, com destaque para a vitória eleitoral de Syriza no último pleito nacional. Uma eleição marcada pelo voto contra o plano de austeridade da Troika. Construir caminhos alternativos que se diferenciem da velha esquerda e da direita tradicional está na ordem do dia.

No espaço do movimento estudantil essa tarefa não é diferente. Os tempos da política estão agitados e também provocarão impactos na burocracia pelega que está na direção majoritária da UNE. Nossa tarefa é acelerar esses processos apresentando novos caminhos. Se as jornadas de junho de 2013 abalaram a velha ordem política e apresentaram o caminho da mobilização como a saída coletiva para nossos desafios, construiremos um verdadeiro Junho nas Universidades para enfrentar a precarização e os cortes de verbas.

A entidade que derrubou a ditadura numa luta por democracia é hoje uma das entidades mais antidemocráticas do país. A verdade é que a UNE anda na contramão das lutas. Os atos contra o aumento da passagem em São Paulo são uma expressão disso. Em nome da UNE e da UEE SP, a UJS (juventude do PC do B) articulou por trás do movimento uma reunião com o prefeito Haddad para debater a questão do passe livre desconsiderando a luta pela redução dos 0,50 centavos de aumento. Uma verdadeira traição ao movimento. Temos que nos diferenciar radicalmente dos setores do campo do governo, sem vacilações, confusões e tentativas de conciliações. O nosso método e a nossa política caminham em sentidos diferentes.

O projeto do governo já dá sinais de esgotamento. E se não avança, retrocede. Por isso a afirmação de uma alternativa de esquerda passará pelo enfrentamento tanto à direita tradicional e conservadora, como àqueles que apresentam uma maquiagem de esquerda para o conteúdo neoliberal concreto de suas ações.

Há tempos que viemos agitando no movimento estudantil a construção de um campo de Oposição de Esquerda na UNE como um espaço de unidade entre diversos setores. Esse campo cresceu no último período e as duas últimas gestões têm dado passos importantes na construção da unidade na luta. É necessário que, para este ano, diante da disputa que o Congresso da UNE vai abrir, este campo dê um grande salto qualitativo, saindo de uma disputa reativa e construindo uma ofensiva tanto no programa de educação quanto na disputa de concepção do movimento estudantil. A tarefa do Juntos! é batalhar para que essa se torne também a tarefa de toda a Oposição de Esquerda. Podemos ter uma conjuntura de lutas que abra a real possibilidade de disputar a direção do movimento estudantil brasileiro. A nossa organização deve ser um catalisador das lutas que acontecem e acontecerão pelo país, construindo pontes de unidade entre elas. A luta do professor e a luta do trabalhador também é nossa luta. Através das universidades faremos uma disputa ampla de projetos políticos para o Brasil.

Vamos construir um programa de esquerda amplo e democrático que culmine numa tese em que os Centros Acadêmicos, Diretórios Centrais dos Estudantes, Executivas de curso e coletivos regionais possam se somar e contribuir. A exemplo do que construímos em Porto Alegre com a chapa “Podemos” para a disputa da eleição da UFRGS, devemos ser capazes de reunir entre nós a indignação coletiva e dar a ela uma consequência política de disputa para a construção de um novo movimento estudantil.

Os pontos abaixo sintetizam o que vamos seguir desenvolvendo como programa para o estímulo das lutas no Brasil e para o 54º CONUNE.


Pontos para o Programa de Educação:

1) Não aos cortes! Ampliação do Investimento na Educação por meio da regulamentação do Imposto Sobre Grandes Fortunas.

2) Nas universidades privadas, anistia aos inadimplentes e congelamento das mensalidades.

3) Lutar por um piso mínimo de investimento por aluno nas universidades brasileiras.

4) Mais direitos nas universidades! Combate ao machismo, racismo, LGBTfobia! Conectar a luta pela educação com a luta por todos os direitos sociais.

5) Participar e estimular espaços unitários entre estudantes, professores e técnicos que se identificam como setores de oposição ao governo

Pontos para o programa de Movimento Estudantil:

 1) Reinventar o movimento estudantil: democratizar as suas estruturas. Propor aos estudantes que “O movimento estudantil, somos nós, nossa força, nossa voz!”

2) Eleição Direta na UNE para eleger a(o) presidente.

3) Construir uma nova metodologia de tiragem de delegados para o CONUNE, que envolva debate de teses nas universidades, escolhas de datas dos congressos feita de maneira ampla e etc.

Plano de Lutas:

1) Construir a Semana Edson Luís.

2) Construir um “Abril pela base” com debates, oficinas e lutas

3) Construir em unidade um dia de paralisações das universidades em maio

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017