Contra o ‘plano de austeridade’ da UFSCar, Juntos podemos lutar!

10/fev/2015, 00h07

Ariane Machado e Natália Pennachioni*

Quando a presidenta Dilma anunciou Cid Gomes, ex-governador do Ceará, para a pasta da Educação, muito se questionou sobre a veracidade do novo mote do Governo Federal, “Brasil, Pátria Educadora”. Cid já havia deixado claro em suas outras gestões que professores devem educar por amor, não por salário. Um vampiro no banco de sangue não poderia causar estrago menor do que o grande corte de verbas já anunciado para a educação.

A Universidade Federal de São Carlos, grande vitrine da política educacional petista no Estado de São Paulo, também começou a sentir o ajuste em seu cotidiano. Com histórico de utilizar a administração como trampolim político para a Prefeitura e o parlamento, a Reitoria tem anunciado desde o ano passado ataques aos direitos conquistados pela comunidade. Cortes de bolsas de permanência se tornaram comuns, com o argumento de que a renda de quem as requisitava já era suficientemente alta para que se mantivessem na Universidade, o absurdo de míseros $150 por mês por pessoa.

O RU (Restaurante Universitário) está cada dia mais precarizado. Desde a greve de funcionários em março de 2014, o movimento sindical já alertava sobre as péssimas condições de trabalho e recursos na cozinha. Quando questionada sobre assistência aos bolsistas e melhorias na alimentação dxs estudantes, a Reitoria sempre respondia com tom de quem já fazia um grande favor mantendo o restaurante subsidiado.

Poucos meses depois, ainda em 2014, o tíquete de Visitante foi suspenso por tempo indeterminado. O argumento foi de que a Universidade não teria verba para a alimentação de todxs xs estudantes e da comunidade que a cercava. Até mesmo o pãozinho amanhecido sofreu racionamento, “só um por pessoa” agora. Só o que fica é o questionamento das prioridades do Governo Federal: a construção de uma Copa do Mundo, ou a garantia de permanência dxs estudantes? 10952877_10152714001550980_7883039683581251789_n

A BCo (Biblioteca “Comunitária”), que há tempos não comporta acervo suficiente para todxs xs estudantes, recentemente passou a exigir identificação na entrada do espaço. Isso não impede a entrada de pessoas sem vínculo com a UFSCar, mas restringe ainda mais o acesso ao conhecimento elitizado. Além disso, não há como ignorar que a restrição de verbas tenha chegado também na renovação e manutenção do acervo.

A polêmica entorno da restrição do Campus de São Carlos à comunidade externa também tem motivações financeiras. Um plano alternativo de segurança sequer foi cogitado, afinal demandaria um mínimo desembolso em iluminação e treinamento adequado aos profissionais de segurança – que hoje são majoritariamente terceirizados.

O que é possível perceber é que a contenção de verbas da UFSCar é reflexo do “plano de austeridade” da educação federal, ampliando o distanciamento da população à comunidade universitária, levando à ruína o pilar da Extensão. E, é claro, se estamos passando por isso na vitrine, mal podemos imaginar o que esse corte nacional de verbas representa para muitas das universidades federais Brasil a fora.

Nesse ano teremos o 54º Congresso da UNE, entidade que representa xs estudantes universitários do país. No entanto, mesmo com o cenário caótico da educação, a direção majoritária e alguns setores que compõe a entidade se calam sobre os ajustes. Como “quem não se movimenta não sente as amarras que o prende”, não conseguem reivindicar nada além dos cargos da UNE. A luta fica por conta dxs estudantes que ousam criticar o projeto de educação do Governo e a passividade da entidade diante dele, e constroem uma alternativa real de organização, a Oposição de Esquerda.

Assim como no restante do país, na UFSCar a Oposição de Esquerda seguirá contra todos os cortes e em busca de ampliação dos inventimentos em Educação. Não aceitaremos qualquer retirada de direitos conquistados até então. Estimularemos a organização de todas as categorias que se identificam como oposição à esquerda desse governo. Da mesma forma, lutaremos pela democratização das estruturas do movimento estudantil, pois “o movimento estudantil somos nós, nossa força, nossa voz”.

 

* Militantes do Juntos! UFSCar em São Carlos