Ocupar as ruas contra o aumento e pelo direito à cidade

02/fev/2015, 23h57

*Guly Marchant

O direito à cidade é a demanda mais urgente dos grandes centros urbanos, ele unifica a luta pela moradia, a luta pelo transporte público e a luta pela ocupação dos espaços públicos, trata da democracia das cidades. Hoje vivemos sem direito a participação nas escolhas, o que possibilita a inversão dos interesses, assim, o interesse privado fica acima do interesse público, acima do interesse do povo. Isto, não é novidade, é constatação do caos urbano em que estamos inseridos.

Porto Alegre, assim com as demais capitais, acumula extensos terrenos abandonados a espera da valorização da especulação imobiliária. Ao mesmo tempo, milhares de famílias não tem se quer um teto para morar e vêem obrigadas a pagar alugueis caros para não ter que fazer da rua seu lar. O projeto que regulariza 14 ocupações na cidade, está na Prefeitura com grandes possibilidades de ser vetado.

O transporte público, há mais de 20 anos sem licitação, segue a sugar o salário do bolso dos trabalhadores na busca de mais lucro. Não bastasse as ilegalidades sobre os contratos e gastos das empresas, a má qualidade é a regra do transporte público. Com ônibus lotados onde as pessoas são carregadas como sardinhas e que colocam os rodoviários em péssimas condições de trabalho, principalmente em dias quentes.

A ganância dos empresários do transporte público de Porto Alegre é legitimada pela Prefeitura que já afirmou que terá aumento da passagem. O anúncio feito pelo prefeito José Fortunati (PDT) em entrevista ao jornal Zero Hora surpreende pela verdadeira falta de respeito com os cidadãos de Porto Alegre e a Justiça, uma vez que as duas  tentativas de licitar o transporte público foram boicotadas pelas empresas de ônibus, as mesmas que agora pedem um novo aumento. Tal comportamento mostra que o prefeito está disposta a fazer o possível para garantir o lucro dos empresários às custas dos porto-alegrenses.

Aceitar as medidas antidemocráticas da Prefeitura de Fortunati e Melo (PMDB) seria naturalizar essa inversão de interesses. Por isso, é hora da juventude que derrubou o  aumento em 2013 e que lutou ao lado dos rodoviários na greve histórica de 2014 ocupar as ruas. Ocupar as ruas contra o aumento da passagem de ônibus e pelo direito à cidade. Nós do Juntos ao lado das organizações e entidades que compõem o Bloco de Lutas convidamos a toda população a se somar ao 1º Ato de Rua Contra o Aumento da Passagem de Porto Alegre. Será na quinta-feira, dia 5, às 17h em frente à Prefeitura. Se eles não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir. Vem pra luta!

*Guly Marchant é militante do Juntos RS, da Setorial Negras e Negros e Coordenador do DCE da UFRGS.

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017