A grave crise da educação atinge as universidades estaduais do Rio de Janeiro.

11/mar/2015, 23h04

*Por Pedro “He-man” Vitor Rebelo

Após o veto de Pezão aos 6% do PIB destinados à educação superior estadual e do anúncio do governo federal, cujo lema é Pátria educadora, do corte de 6 bilhões de verbas destinadas ao MEC, o governo do estado ainda promete apertar mais o cinto. 144 milhões foram cortados da UERJ, além de verbas destinadas à UEZO e UENF.

Os problemas são similares aos que as federais vêm passando. Já no início de 2014 o Ministério Público havia determinado a chamada imediata do concurso para professores. Esta decisão se deu devido a manobra que a reitoria, junto aos governos vinham e vêm fazendo com o contrato de professores não concursados à baixos salários. Só no ano passado esses contratos chegavam a 900 dos 2,3 mil professores da UERJ. Apesar de precisar no mínimo de 400 vagas em concurso para atender a demanda de mais de 6 mil horas/aula, além de atender a carência do CAP e da FFP (campi que mais sofre com a falta de professor), a reitoria ofereceu 230 vagas e propôs a extensão de até 60% da carga horário dos professores concursados para suprirem essa deficiência, prejudicando e muito a qualidade dos projetos de pesquisa e extensão.

Após muitos trâmites na justiça, esta semana o MP autorizou a contratação de docentes em caráter emergencial, até a regularização do concurso, obrigando a UERJ a adiar o início das aulas de 11/03 para 23/03 , visando reprogramar seu semestre letivo. Em nota, a reitoria busca lavar suas mãos, jogando a culpa na crise fiscal do estado. Milhares de funcionários terceirizados ainda se encontram com salários atrasados ou irregulares, além da instabilidade no pagamento das bolsas estudantis universitárias que sofreram atrasos recentes.

Neste clima de precarização e instabilidade os estudantes pagam o pato e a situação é ainda pior nos campis periféricos. A FFP (Faculdade de Formação de Professores) e a FEBF (Faculdade de Educação da Baixada Fluminense) sofrem com falta de bandejão e precarização das salas de aula não climatizadas que chegam a sensação térmica de até 50cº. A luta pela acessibilidade também é uma dura realidade após quinze anos da lei 10.098 que obriga prédios públicos a se adequarem para receberem portadores de necessidades especiais. Não faltam motivos dos quais não possamos nos indignar. Já no ano passado boa parte da categoria docente clamava pela greve, mas as dificuldades de serem ouvidos em ano eleitoral postergaram a decisão, e ao que tudo nos indica a greve é iminente.

Somente nossa mobilização através da luta pode mudar essa situação. Nós, estudantes, não podemos e não vamos pagar pela crise!

 

*Pedro “He-man” é estudante da UERJ-FFP e militante do Juntos Rio