BAURU: Não é Drama, é Luta!

22/mar/2015, 13h12

  Juntos Bauru

Em Bauru, interior de SP a luta dos trabalhadores está intensa, a metalúrgica Ajax que tem como sócio majoritário Nasser Ibrahim Farache e um quadro de 1100 funcionários está passando por momentos críticos. Os trabalhadores não recebem seus salários desde dezembro, incluindo décimo terceiro, o fundo de garantia não é depositado nas contas dos funcionários a mais de 7 anos e só foi descoberto em abril do ano passado, além de criminoso com os próprios funcionários ele conseguiu outra façanha, não pagou as pensões alimentícias, que são descontadas direto em folha dos funcionários que assim preferiram, esses funcionários encararam uma situação criminosa, depois das férias coletivas colocada pelo patrão, no dia 6 de janeiro os funcionários voltaram e encontraram a fábrica vazia, sem matérias primas (chumbo) e sem estoque (baterias), além do não recebimento do salário e muito menos das férias.

Como alternativa de reverter a situação os funcionários foram às ruas, pediram auxilio na câmara do vereadores, no ministério público e decidiram que ocupariam a fábrica, pelo menos a frente dela, pra que os materiais fossem resguardados e para que enfim pudessem receber e trabalhar. Logo após a ocupação a luz foi cortada e os motivos aparecendo, o patrão, devendo para investidores e sonegando impostos, além da dificuldade de manter a metalúrgica por questões ambientais, achou um jeito de se desfazer do negócio, simplesmente abandonou a fábrica para se voltar apenas às outras empresas ligadas a laranjas e para suas festas particulares regadas à uísque.

Hoje 2 meses depois do início da luta já passamos por enfrentamento por energia e corte dela, corte de água, uma noventena imposta pelo judiciário, pra que a situação seja analisada, quase 400 funcionário com baixa na carteira, funcionários que pela falta de pagamento perderam o carro financiado, foram despejados de casa, famílias inteiras desamparadas, já que muitos marido e mulher, os dois, trabalhavam lá, o quadro parece não ter opções de saída, mas a luta dos trabalhadores que deram a vida ao lugar por mais de 20 e vários a mais de 30 anos não pode, e não vai ficar assim, a luta da classe trabalhadora do nosso país inspira e nos dá a esperança que nada deve ser impossível de mudar, que por mais bandido que o Nasser possa ser os trabalhadores unidos precisam e estão se colocando, revezando a ocupação e fazendo diversos atos e reuniões com o poder público.

A retenção imediata dos bens do patrão, assim como a parada imediata da empresa Cachoeira Metais em Cachoeira de Goiás (GO), que fornece a matéria prima e é também administrada em nome de laranjas por ele, são pautas base até que o salário seja pago, além do mais pedido de 90 dias para análise do juiz é inaceitável, temos uma brecha na Lei que enquanto o patrão não tiver com todos os funcionários em dia ele não pode entrar com recursos, temos também uma questão básica de sociedade que ultrapassa o direito ao salário trabalhado, é uma questão de DIGNIDADE, imagina só você com sua família pra criar e colocar comida em casa estar sem receber a desde dezembro, ser jogado de mão em mão pelo poder publico, ser enganado pelo patrão, ser despejado, ter seus bens retidos, estar com o aluguel atrasado e vir alguém te dizer que não vai ter proposta de resolução por ainda 90 dias?? Um atentado da burguesia à classe trabalhadora, enquanto a população bauruense se solidariza com os trabalhadores, o patrão se diverte e foge, manda a família sair da cidade e simplesmente desaparece, covarde.

A dignidade desses trabalhadores literalmente foi jogada na rua, o patrão que sonega e engana deixou 1100 trabalhadores sem sono e sem perspectiva de recebimento, enquanto isso, o mesmo se diverte tranquilamente em festas privadas e tem como preocupações o gasto das centenas de milhares de reais, que saem de Cachoeira de Goiás, por dia e de quando sua mansão fica pronta no condomínio de luxo lago sul.

O Juntos! Bauru está presente na luta e pede a solidariedade política de todo o Brasil, assim como em Bauru, os trabalhadores não podem ficar sem reação, estamos em luta, estamos ocupados, não queremos noventena, não queremos desmobilização e enfraquecimento do movimento, não queremos mais ser enganados, queremos a retenção imediata dos bens do patrão, queremos a liberação imediata para a volta do funcionamento da fábrica, assim como a ocupação dos trabalhadores por completo da mesma, queremos o fim da impunidade e direito à dignidade dos 1100 trabalhadores e mais de 5000 pessoas afetadas pelo banditismo do patrão, pela resolução dos problemas e pela resistência que vive nos trabalhadores da metalúrgica Ajax nós lutamos Juntos!

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