Cid Gomes fora… Leve o Cunha com você!

19/mar/2015, 11h07

Numa cena patética, Cid Gomes e Eduardo Cunha protagonizaram na tarde de hoje mais um duelo entre sujos e mal lavados. No congresso dos mais de 300 picaretas, sendo seu chefe Cunha e vários asseclas réus na operação Lava-Jato, o até então ministro da educação fez um show a parte. Nada de discutir investimentos ou soluções para o caos nas universidades. Nenhuma resposta concreta a crise do FIES. Cid xingou o PMDB de Cunha e abriu caminho para sua saída. Minutos mais tarde, Cunha se regozijou anunciando a queda de Gomes. Triste espetáculo de um Brasil em crise.

O Juntos! pressionou o ministro, em sua visita a Universidade Federal do Pará – UFPA – onde apresentamos uma carta reivindicatória do movimento estudantil contendo as demandas cotidianas dos discentes, como a ampliação do RU, creche universitária e exigindo a suspensão do corte de 7 bilhões na educação. Pudemos colocá-lo contra a parede, e ele teve de dizer a verdade sobre o congresso: Eles são todos achacadores. Tal verdade “inconveniente”, talvez a única dita por ele na sua gestão, causou furor dos picaretas.

Centenas de achacadores estão aí. A lista de empresas com contas no HSBC da Suiça fala por si a quem Cid, o coronel cearense, incomodou. A horda de achacadores é maior e mais poderosa que o próprio Cid, um achacador oficial.

Enquanto no Congresso os deputados parecem estar no “baile do titanic”, de forma cega celebrando contra o povo seus privilégios enquanto rumam a um naufrágio político e moral, a calamidade adia aulas e novos cortes são anunciados como na UEMG ou UFMG Ibirité ou a UFU, as filas do FIES seguem sem solução, etc. A crise do governo, que chegou a 62% de reprovação, aponta várias fissuras, porém mantém uma unidade: que ajuste seja pago pelos trabalhadores e a juventude.

Cid, o breve

Cid caiu pelo seu desgaste enorme e rápido. Pela falta de habilidade. E pela crise interna das ratazanas do Planalto, cada qual tentando escapar. Nem completou os tradicionais “100 dias”.

Nos orgulhamos de desde o primeiro minuto combater Cid e seus planos. Assim como na Bienal da UNE, junto com setores da Oposição de Esquerda, Miguel Rosseto teve de ouvir o que não queria. A nossa bandeira levantada em Sobral, onde o Juntos! organiza o movimento estudantil , denunciou desde os primeiros dias de governo o caráter do ministro. Como explícito no texto de João Berkson Araujo: “Diante deste quadro de ajuste de Dilma e da megalomania de Cid Gomes, não resta alternativa se não intensificar cada vez mais as lutas. Dilma falou no seu discurso de posse o que todos nós queremos. Mas sabemos que seu governo, principalmente com Cid como ministro, não vai poder realizar”.

A denúncia do Juntos! Pará que levou o ministro a beira do ataque de nervos. Essa marca da combatividade do Juntos! nos faz estufar o peito e ir pra cima “derrubar o Rei!”.

Cid teve sua breve estada no ministério no pior período político. Sai com a marca de inabilidoso e responsável pela crise na educação nacional. A política de cortes e ajustes, operada no ele no comando do ministério, causa grande dano a toda uma juventude que tinha o sonho de estudar, ao mesmo que o tratamento de choque dado ao ANDES – Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior – fornece ao seu currículo ainda piores credenciais para seguir no comando desta pasta.

E agora, Dilma? Patria educadora, uma ova!

Em três meses de Ministério da Educação nas mãos de Cid Gomes, a situação da educação no Brasil é calamitosa. Evidentemente, como causa de todo um projeto de governo que, até ontem, se personificou em Cid.

Dos 22 bilhões de reais cortados no orçamento de 2015 pelo governo federal, 1/3 aconteceu na educação! Nestes primeiros meses do ano, as universidades federais sofreram um corte de 30% em seus orçamentos, causando diversos problemas.

As universidades estaduais não fogem da situação. As paulistas, USP, UNICAMP e UNESP, receberam notícia de corte de mais de R$ 200 milhões no orçamento de 2015. No Rio de Janeiro, a UERJ demitiu funcionários terceirizados e adiou o início de aulas.

As universidades privadas aumentaram as mensalidades em cerca de 9%. Além disso, demitiram professores, como nas PUC de MG ou de SP. E um enorme escândalo toma conta de todo país: o desmonte que o governo está promovendo no FIES, endividando e obrigando estudantes a abandonar suas matricular, pondo fim ao sonho de milhares de jovens.

No entanto, a resposta dos estudantes e dos trabalhadores da educação tem sido contundente. No Paraná, dobraram a espinha do governador Beto Richa (PSDB) e garantiram a volta dos orçamentos às universidades estaduais. Agora mesmo, a reitoria da PUC-SP está ocupada, e nós do Juntos!, ao lado de muitos outros companheiros, estamos marcando presença. Por todo canto, se ampliam os protestos, a indignação e a resposta daqueles que querem defender uma verdadeira “pátria educadora” pela única via possível de se fazer isso: enfrentando e questionando o governo que corta investimentos na área, em nome do “ajuste fiscal”!

Combater a direita nas ruas

Ao mesmo tempo, é necessário enfrentar sem tréguas a direita mais reacionária e conservadora do Brasil. A voz de demissão de Cid Gomes personificou-se em Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara de Deputados. Cunha é uma “ratazana” da direita com todas as credenciais. É um notório machista e um indisfarçável LGBTfóbico. Propôs como deputado o “dia do orgulho heterossexual” e milita ativamente contra a legalização do aborto. Como se não bastasse isso tudo, ainda está envolvido no escândalo da Petrobras, mais um caso de corrupção em seu vasto currículo, em que consta já ter trabalhado para o governo Collor e outros absurdos.

A continuidade de um “Eduardo Cunha” na presidência do parlamento embasa, nas ruas, a volta à cena de setores de ultradireita que, mesmo minoritários, devem ser denunciados e combatidos incessantemente. No último dia 15, vimos setores defendendo a intervenção militar. Isto não apenas é absurdo, como deve ser exemplarmente punido: estes fascistas, que querem a volta das torturas e dos assassinos de figuras como Edson Luís e Honestino Guimarães, devem ser imediatamente presos.

Pelo movimento estudantil, nós do Juntos! deixamos claro que, diferentemente destes reacionários, somos favoráveis à intervenção popular! E ao avanço das pautas democráticas, defendendo a conquista das cotas raciais nas universidades, ampliando os direitos de LGBTs, mulheres e todos os setores oprimidos. Uma boa maneira de iniciar isso é dizendo claramente: Fora Eduardo Cunha!

 

Nossas exigências diante do novo ministro

Cid Gomes, o “oligarca” do Ceará, vinha sendo um péssimo ministro. Agora, demitido sob os desmandos do PMDB no interior do governo, a possibilidade é que ainda piore. Entretanto, não importa o novo ministro! Importa que tenhamos uma nova política de educação no Brasil. Enquanto persistirem os cortes, tudo continuará no caos. Diante da crise na educação, nós do Juntos! apresentamos um programa de urgência:

– Nenhum centavo a menos para as universidades. Taxação das grandes fortunas. Tirem dos ricaços e invistam na educação!

– Nenhum corte no FIES! Que nenhum estudante tenha que abandonar sua matrícula ou que assumir dívidas por causa do atraso no financiamento. A culpa é do governo e não do estudante

– Passe livre para toda juventude

– Por mais direitos: legalização do aborto, regulamentação da maconha, criminalização da LGBTfobia, aprovação do casamento civil igualitário e da Lei de Identidade de Gênero

– Abaixo a repressão. Fim da perseguição aos ativistas. Desmantelamento da polícia secreta, da P2 e da ABIN. Desmilitarização das polícias. Fim das chacinas e do genocídio da juventude pobre e negra.

 

26 de março: nossa marcha em todo Brasil!

O dia 26 de março é o dia nacional de luta da educação! A confusão no “andar de cima”, entre os sujos e os mal lavados, entre um ministro oligarca e um parlamentar corrupto, enfim, entre a multidão de “achacadores” que são os políticos brasileiros — toda esta situação abre uma oportunidade para os que lutam! E é preciso demonstrar que quem está na ofensiva no Brasil são os movimentos sociais, os estudantes e trabalhadores autonomamente organizados, aqueles que lutam por mais direitos, e não pela “marcha à ré” na história do Brasil.

No dia 26, faremos de cada porta de universidade do Brasil, pública ou particular, e de cada escola, uma trincheira! Vamos construir um fortíssimo e radical dia de mobilização em todo país!

A todos estudantes do Brasil, deixamos um recado: Convoque sua luta! E lembramos uma das várias lições do maio de 68: barricadas fecham ruas, mas abrem caminhos!

 

GTN, 19 de março de 2015