JUNTOS LGBT: Preconceito mata! Educação salva

12/mar/2015, 17h17

Juntos LGBT

Acabou-se. Para Peterson Ricardo de Oliveira, tudo se acabou nesta segunda-feira, após uma semana lutando pela sobrevivência num hospital. Para seus pais, dois homens unidos pelo amor e o simples desejo de formar uma família, acabou o sonho de ver o menino crescer. Aos 14 anos, outra vida foi tirada de forma tão cruel quanto casual e até ingênua. Dois dos cinco colegas responsáveis pela agressão apareceram na casa dos pais de Peterson e se desculparam por seu ato. Talvez surpresos ao perceber que suas “brincadeiras” pudessem resultar em morte.

Após anos de perseguição e insultos, os colegas de escola decidiram que agressões verbais não bastavam. Era necessário punir! Punir aquele que “ousara” ser criado por uma família diferente, ser criado por aquilo que desde a mais tenra infância aprenderam a desprezar e hostilizar: bichas! Aqueles a quem se acostumaram a tratar como alvo preferido de suas piadas maldosas, aqueles cujos relacionamentos são tão deploráveis que não merecem nem ser mostrados na TV, nos livros, nos cinemas ou ser mencionados por seus pais. A menos, é claro, que se prestem a ser motivo de chacota.

Há quatro anos, o Brasil fugiu de um debate vital: educar as crianças para a diversidade ou não? Buscando agradar a seus aliados conservadores, a presidente deu uma resposta clara: não fará “propaganda de opções sexuais”. A fala reflete o medo sentido por inúmeros pais, que “protegem” seus filhos de qualquer contato positivo com a diversidade e prontamente se opuseram ao programa de combate à LGBTfobia nas escolas. Em vez de assumir o debate, educar a população sobre a importância do projeto, Dilma assumiu o lado do preconceito, dos que se preocupam com o perigo de “ter o filho transformado em gay” (como se isso fosse possível) e preferem a cada dia continuar transformando os filhos em potenciais assassinos.

Ano passado, mais uma vez, nosso governo dobrou-se aos caprichos dos fundamentalistas e impediu a votação do PLC 122, que propunha equiparar a LGBTfobia ao crime de racismo. E agora enfrentamos um presidente da Câmara Federal que deseja instituir o Dia do Orgulho Hétero e criminalizar a “heterofobia”.

Todo LGBT assumido sabe como é difícil enfrentar a escola, os xingamentos diários, as “brincadeiras” violentas e, caso não façamos nada, continuarão sabendo ainda por muitos anos. A hostilidade se faz notar em todos os ambientes, da escola ao trabalho, passando pelas ruas e muitas vezes em casa. “Violência física e psicológica atingem a todos”, argumentam os fundamentalistas, mas eu os desafio a apontar uma única pessoa morta, agredida ou xingada por ser heterossexual e cisgênera.

Em 2014, tivemos uma lésbica covardemente agredida sob gritos de “Não aceito homossexuais em meu bairro”, o assassinato de um jovem gay acompanhado de um bilhete com os dizeres “Vamos eliminar essa praga” e, ainda assim, os líderes fundamentalistas aliados tanto do PT quanto do PSDB insistem em afirmar que a LGBTfobia não é um problema no Brasil!

Isso precisa acabar! Precisamos vencer a hipocrisia e dizer na cara do fundamentalismo: preconceito mata, sim! Precisamos, sim, de punições específicas ao crime de ódio a LGBTs, como há punições específicas para outras discriminações. Mas, acima de tudo, precisamos educar, educar para que mais jovens se deem conta da gravidade de suas ações antes que seja tarde de demais.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017