LONDRES: Universidade de Londres ocupada por estudantes contra a austeridade e o neoliberalismo!

19/mar/2015, 15h00

Antes da Eleição Geral em Maio, estudantes ocuparam um proeminente prédio da Universidade de Londres para protestar contra a austeridade e o papel da universidade, informa Harry Blackwell.

Na noite do 17 de março de 2015, estudantes da London School of Economics (LSE- Escola de Economia de Londres), uma prestigiada faculdade da massiva Universidade de Londres, ocuparam a reunião central e a sala administrativa em protesto contra o neoliberalismo e a austeridade. Os ocupantes promovem aulas públicas e encontros, além de lançarem um manifesto por mudanças. Os manifestantes clamaram por uma “Universidade Livre de Londres” em protesto contra a escalada de custos e dívidas por matrículas na Inglaterra. Entre outras demandas está um chamado às universidades para que abandonem os combustíveis fósseis de modo a proteger o meio-ambiente – uma grande campanha dos estudantes radicais e ecologicamente conscientes na Grã-Bretanha.

A ocupação vem quatro meses depois de uma onda de protestos e ocupações, inclusive no LSE, quando a coalizão governamental optou por triplicar as taxas universitárias e sobrecarregar os estudantes com novos débitos.

Enquanto isso estudantes em Madri no Estado Espanhol, um dos países mais afetados na Europa pela austeridade, ocuparam também um prédio universitário.

Mensagens de solidariedade podem ser enviadas para:
Twitter: @lseoccupation (London), @LaReproOkupada (Madrid)

Por que nós estamos ocupando

Nós ocupamos o Vera Anstey Suite, a sala central de reuniões da administração da universidade, para pedir uma mudança no atual sistema universitário.

LSE é a síntese da universidade neoliberal. Universidade estão cada vez mais implementando o privatizado e burocratizado modelo de negócios, orientado para o lucro, de ensino superior, que encerra estudantes em enormes dívidas e transforma a universidade em uma fábrica e estudantes em consumidores. LSE tornou-se o modelo para a transformação de outro sistema universitário na Grã-Bretanha e para além dela. Endividamento maciço, padrão orientado para o mercado, e subordinação aos interesses corporativos perverteram profundamente o que nós pensamos que deveria ser a universidade e a educação.

Nós pedimos uma educação que seja libertadora- que não tenha uma etiqueta de preço. Nós queremos uma universidade controlada pelos estudantes, docentes e funcionários.

Quando a Universidade torna-se um negócio toda a vida estudantil é transformada. Quando a universidade é mais preocupada com a sua imagem, sua comercialização e o “valor agregado” de suas graduações, o estudante está longe de ser um estudantes – eles se tornam uma commodity e a educação se torna um serviço. Sexismo e racismo institucional, bem como condições de trabalho para os trabalhadores e docentes, tornam-se uma distração para uma instituição voltada para o lucro.

Nos juntamos às lutas em curso no Reino Unido, Europa e no mundo para rejeitar este sistema que mudou não só a nossa educação, mas toda a nossa sociedade. A partir das ocupações em Sheffield, Warwick, Birmingham e Oxford, até o controle coletivo pelos estudantes da Universidade de Amsterdã deixaram claro que o atual sistema simplesmente não pode continuar.

Não estamos sozinhos nesta luta

Por que ocupar?

Nesta ocupação, o nosso objectivo é criar um espaço aberto, criativo e livre, onde todos são livres para participar na construção de uma nova educação diretamente democrática, não-hierárquica e universalmente acessível: A Universidade Livre de Londres.

O espaço será organizado em torno da criação de oficinas, debates e encontros para compartilhar idéias livremente. O conhecimento não é uma mercadoria, mas algo precioso e valioso em seu próprio direito.

E esperamos provar, mesmo que apenas dentro de um tempo e espaço limitado, de que a educação pode ser livre. Este espaço liberado também deve ser um espaço para uma discussão aberta sobre a direção desta universidade e para onde nosso sistema educacional como um todo está se encaminhando.

Queremos enfatizar que esse processo não é apenas para os alunos, e nós incentivamos a participação de todos os funcionários da LSE, não-acadêmicos e acadêmicos.

Nós embasamos nossa luta nos princípios de igualdade, democracia direta, solidariedade, cuidado apoio mútuos. Estas são nossas demandas atuais que nós convidamos a todos para discutir, debater e agregar também.

1- Educação livre e universalmente livre não voltada para o lucro mercantil
Reivindicamos que a administração da LSE pressione o governo para acabar com as taxas de matrícula tanto para estudantes domésticos quanto estrangeiros.

2- Direitos dos trabalhadores
Em solidariedade com os trabalhadores da LSE, nós reivindicamos uma verdadeira segurança de emprego, um fim aos contratos de zero-hora, remuneração justa e uma drástica redução do abismo existente entre os salários mais elevados e os mais baixos.

3- Democracia universitária genuína

Pedimos um conselho estudante-funcionário, diretamente eleito pelos estudantes e funcionários acadêmicos e não-acadêmico, responsável por elaboral todas as decisões administrativas da instituição

4- Desinvestimento

Reivindicamos que os cortes escola corte seus laços com organizações destrutivas e exploradoras, tal como aquelas envolvidas em guerras, ocupações militares e a destruição do planeta. Isto inclui mas não se limita ao desinvestimento imediato na indústria de combustíveis fósseis e de todas as companhias que lucram com a ocupação do estado de Israel na Palestina.

5- Liberdade

Nós exigimos que a LSE mude sua política de perseguição, e ter tolerância zero com a intimidação.

Exigimos que a LSE não implemente a Lei Contra o Terrorismo que criminaliza a dissidência, principalmente visando estudantes e trabalhadores muçulmanos

Exigimos que a polícia não seja autorizada no campus.

Exigimos que a LSE torne o espaço livre de racismo, sexismo, preconceito contra pessoas portadoras de deficiência, homofobia, transfobia e discriminação religiosa.

Exigimos que a escola reforme o velho código de ética e o faça legalmente vinculante, em linha com a moção SU recentemente aprovada

Exigimos que a escola garanta a segurança e igualdade dos estudantes internacionais, especialmente com relação ao seu status de visto precária, e incluí-los plenamente no nosso projeto de uma universidade livre.

Fonte: http://occupylse.tumblr.com/post/113914552450/why-we-are-occupying

Nota Adicional: * O “Ato Contra Terrorismo e Segurança de 2015” foi aprovado pelo parlamento britânico em fevereiro de 2015, com o apoio do oposicionista Partido Trabalhista, e requer que as autoridades universitárias e universitários trabalhe com as autoridades policiais e outros em relatar alunos risco de se tornar terroristas ou extremistas. Ele é amplamente visto como um meio de transformar o staff universitário em informantes da polícia (ao estilo Stasi) sobre todos os tipos de atividade “radical” por parte dos alunos.

Publicado originalmente em http://socialistresistance.org/7276/students-occupy-universities-against-neo-liberal-austerity e traduzido por Charles Rosa

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