Mobilizar e conquistar na USP em 2015!

05/mar/2015, 00h48

No dia 25/02, ocorreu a tradicional Calourada Unificada do DCE-Livre da USP. Diversas calouras e calouros tiveram uma grande oportunidade de entrar em contato com debates importantes e necessários para o atual momento em que vivemos. Cerca de 1,5 mil estudantes participaram da Calourada e o recado dos estudantes foi dado: nós não vamos pagar pela crise!

Com a presença de Henrique Carneiro e Thiago Aguiar, debatendo a Grécia e a vitória do Syriza, a oficina do Juntos! reuniu cerca de 250 estudantes de muitos cursos e campis da USP! Um bom termômetro de que 2015 promete ser um ano de muita participação política!

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Na USP, a crise política e orçamentaria é uma verdadeira ameaça às conquistas e à permanência estudantis. Hoje, já há cursos sem trabalho de campo, laboratórios que tiveram suas portas fechadas, faltam professores, vagas na creche não foram abertas e, no interior, bandejões já não funcionam na janta. Em 2015, os estudantes terão uma responsabilidade histórica: a defesa da universidade pública! Não vamos aceitar a implementação de um projeto de sucateamento que a reitoria, junto ao governador Geraldo Alckmin, tenta impor à USP!

A nossa luta é nacional

A crise na USP antecipou um processo que vemos, neste ano, como a regra pelo Brasil: ajustes e cortes nos serviços públicos, com destaque especial para os mais necessários, como a educação.  Nas universidades, a situação é cada vez mais crítica, pois, depois de entregar o Ministério da Educação nas mãos de Cid Gomes e cortar 7 bilhões da área,  ⅓ do investimento destinado às universidades federais também foi limitado. Dilma mostra que a “pátria educadora” tem, na verdade, a educação como prioridade somente para os cortes de investimento público! Acompanhamos a grande greve de professores no Paraná (link) de perto, em que o pacote de austeridade aplicado por Beto Richa foi tão violento que algumas universidades cogitam fechar suas portas. As universidades paulistas podem viver uma situação muito parecida: Beto Richa é uma protocópia de Geraldo Alckmin, tão truculenta e reacionária quanto. Porém, como mostra o Paraná, a saída contra os ataques ao ensino público é a luta!

Não levante o dedo pra mim!

As barbaridades denunciadas desde o ano passado, tomando as mídias do país, sobre os casos de assédio, abuso sexual e violações de direitos humanos dentro da USP são inaceitáveis! As opressões, institucionalizadas pela universidade, são cada vez mais evidentes e chocantes. Os casos de estupro e abuso nas festas e trotes da Faculdade de Medicina e demais Institutos desnudaram, não só o quanto a violência machista, racista e LGBTfóbica se faz presente na USP, mas também a conivência da reitoria e da sua estrutura de poder autoritária e antidemocrática. A proibição de festas foi a única resposta, desonesta, que nos deram: uma clara tentativa cercear a autonomia dos estudantes. Mas o verdadeiro problema não são as festas organizadas pelos estudantes, e, sim, a festa da reitoria, que corta os investimentos na educação e foge de sua responsabilidade perante todos os casos que envolvem a USP institucionalmente. Essa festa sim tem que acabar!

Não vamos mais tolerar que negras, negros e LGBTs sejam constrangidas e humilhadas, nem que nenhuma mulher tenha que abaixar a cabeça diante do assédio e do abuso sexual! Além disso, não aceitaremos que a reitoria tente cobrir os casos, que sujam a imagem da universidade, com uma cortina de fumaça proibindo as festas universitárias! Queremos que a USP se responsabilize e que os culpados sejam punidos! Machistas, racistas e LGBTfóbicos não passarão!

O movimento estudantil somos nós, nossa força e nossa voz!

A história do movimento estudantil da USP foi escrita através de muita resistência e enfrentamento aos ataques feitos à educação pública ao longo de décadas! O DCE-Livre da USP, fundado no bojo e a frente da luta democrática no país, em 2015 terá uma grande responsabilidade: mobilizar e vencer! Neste ano precisaremos usar toda a nossa indignação e disposição de transformar a universidade, para garantir o seu caráter público e gratuito!

É por tudo isso também que nós do Juntos, queremos construir um DCE que tenha como principal tarefa ser um instrumento de mobilização para todas e todos, nos seus diferentes cursos e campi, que enfrente as castas políticas que não nos representam para derrotar os planos de ajuste e austeridade e garantir nossos direitos!

Junte-se!

Em diversos cursos, estamos organizando debates sobre a situação da universidade. Um circuito que já dá o pontapé inicial de um ano que promete ser muito agitado. No dia 12/03, unificando todas as localidades, faremos uma grande atividade, com todos os cursos reunidos para compartilharmos nossas percepções e pensarmos as iniciativas de construção do movimento estudantil! Na próxima quinta-feira, 12/03, faremos uma atividade unificada com todos os cursos! Fiquem atentos ao evento!

 

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017