O curso de Psicologia da UEFS perdeu a paciência com o sucateamento!

20/mar/2015, 20h45

*Por Linnesh Ramos

O curso de Psicologia da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, um dos cursos novos da Universidade, aponta em sua faixa disposta na entrada do prédio da unidade como tem se expressado a política educacional frente à arrochos e cortes no orçamento: pela falta. Falta professores, salas de aula, laboratório, técnicos administrativos e até papel A4 também já está em vias de se esgotar. Isso é apenas o mais urgente que muito bem se encaixaria em problemas de outros cursos. Sem contar os problemas como falta de bebedouros (“incrível” como 10 anos se passaram e desde que entrei na universidade esta pauta é sempre muito atual), assistência estudantil, creche universitária, bolsas decentes de incentivo à pesquisa e à extensão, valorização do trabalho docente, democracia interna, dentre tantas outras pautas que o movimento reivindicatório das universidades tem acumulado. De tudo isso, temos muita falta. O que “aconteceu de um dia para o outro” na verdade é um problema arrastado de muito tempo. O que vi hoje na UEFS foi o resultado de um longo período de desmantelamento da educação pública no Brasil.

Em assembleia, onde participaram estudantes, professores e técnicos, o curso decidiu paralisar suas atividades até que se cumpra uma pauta de reivindicações que vai desde a renovação do contrato de uma professora substituta, que teve o pedido de renovação negado porque a UEFS atingiu a cota de substitutos admitida para a Universidade – enquanto não tem concurso público- , até a luta por livros na biblioteca. Acontece que este não é o único caso de sucateamento da Universidade. Na assembleia ficou evidente que existem outros cursos, outras universidades estaduais e federais que passam pelo mesmo problema. O corte na educação tem sido sentido com peso na Bahia. O estado que experimentou de primeira a política de expansão do Reuni e vem sucateando ano após ano as suas estaduais, recebe mais uma vez a fatura destes anos de política da falta. Nossa indignação!

Em marcha, a assembleia seguiu para a reitoria onde se cobrou uma resposta concreta do pró-reitor diante das pautas mais imediatas. E deixou claro que o curso seguirá mobilizado até que todas as pautas estejam atendidas. O sentimento de que este foi um fósforo se acendendo num palheiro estava presente nas falas dos colegas de outros cursos, do sindicato dos professores e pelos técnicos. Todos estamos sendo atingidos pelo corte. Eu, professora substituta, me vi ali naquela assembleia na condição da colega que teve seu contrato negado. E sabemos que ela não é a única. Paciência? Uma ova! Enquanto isso, temos que recordar o amargo desfecho do governo Wagner (PT) ao assinar uma lei que dá salário vitalício para ex- governadores, e o primeiro trimestre do novo governo Rui Costa (PT) onde, diante de uma profunda crise política entre governo e aliados (o sujo e o mal lavado nesse argumento todo de governabilidade) o vice governador João Leão (PP) ao ser acusado de receber dinheiro do esquema Lava Jato, disse estar “cagando e andando na cabeça de todos esses cornos”!

Não aguentamos mentiras e ajustes enquanto os senhores aumentam vossos salários, lavam roupa suja no parlamento e pedem a ditadura de volta!

À todos os “achacadores” e senhores que “cagam e andam” para nossos direitos, para a realidade da educação nesse país e ainda tem a cara de pau de chamar “Brasil Pátria Educadora”: este foi só um primeiro aviso. Vamos construir o “junho da educação” neste 2015!

*Linnesh Ramos é militante do Juntos! BA e professora substituta da Universidade Estadual de Feira de Santana