O machismo do “crime passional” fez mais uma vítima

21/mar/2015, 11h01

*Por Michele Caroline Santos Santana

Vivemos uma realidade nas relações onde, o afeto saudável encontra-se cada vez mais difícil. O sentimento de posse ocupa-se dessas relações e a agressividade tem se tornado comum. O problema é mais sério do que podemos mensurar. Sim, porque muitas vítimas se calam e não conseguem procurar ajuda, por achar normal a violência contra si. Nesta quinta-feira dia 19 de Março de 2015, perdemos mais uma irmã, uma companheira, uma mulher! Patrícia Pereira da Silva de 20 anos que foi assassinada de forma cruel pelo namorado Renato Guilherme da Silva (24), por um motivo torpe, ciúmes. O crime ocorreu na cidade de Argelim, no estado de Pernambuco e chocou a todos: Patrícia foi decapitada por conta de trocas de mensagens no celular. Ele que já mostrava agressividade para com ela no relacionamento, não fazia questão de esconder sua falta de escrúpulos e de respeito! As pessoas próximas viam uma normalidade, onde não há!

O feminicídio ocorre de maneira grotesca. Não existe justificativa para determinadas atitudes! Há aqueles que vêm com desculpas esfarrapadas de que o ciúme é algo justificável para tal atrocidade. Não! Não é! Que mania mais esdruxula de culpabilizar a mulher de tudo! Se a mulher trai, ou é traída a culpa é sempre dela. Ou porque não se deu o respeito ou porque não respeitou. E nós quando iremos ser respeitadas??  O quanto nós sofremos todos os dias com isso?

Quando poderemos confiar em alguém para se relacionar, quando mal somos amparadas pelos nossos familiares, não por culpa deles, mas por culpa desse machismo que transcende do patriarcado à anos?! Sim, porque se os homens fazem isso ou coisa pior, nunca é lhes caído culpa alguma!

Ah! Briga de marido e mulher ninguém mete a colher! Se mete colher sim! Colher, polícia, justiça e o que for preciso para proteger essa mulher!  Para proteger nós mulheres! Mulheres Cis, Muheres Trans, Heterossexuais, Homossexuais, bissexuais. TODAS NÓS!

A lei existe e está posta! O que cabe à nós é lutarmos para que ela de fato seja efetiva e que realmente puna os agressores de tantas e tantas por aí… Mas só isso não basta! Temos que fazer um exercício diário de desconstrução do machismo. De lutar pelos nossos direitos de ir e vir, e de fazermos o que quisermos e se quisermos! Uma luta que deve ser de todxs nós!

Toda solidariedade e sentimento para com a família de Patrícia. Ansiamos muito para que a justiça seja feita!

Vamos à luta, pois não somos apenas uma, somos todas! E Estamos todas Juntas!

*Michele Caroline Santos Santana é graduanda em Ciências Sociais na UESC

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