Pela derrubada do veto que proíbe o feriado no dia 20 de novembro, somos todos Zumbi

20/mar/2015, 16h30

*Por Ritchele Vergara

A Câmara Municipal de Porto Alegre está debatendo o projeto que tem por objetivo a implantação do Dia da Consciência Negra e da Difusão da Religiosidade no calendário de feriados da cidade. Ele obteve largo apoio de movimentos sociais que visam ao combate do racismo. O Juntos! Negras e Negros apoiou a ideia assim que tomou conhecimento.

O projeto foi aprovado pela maioria dos vereadores, mas o prefeito José Fortunatti do PDT, vetou o projeto de lei alegando inconstitucionalidade. Disse ainda, que a capital gaúcha já possui seus feriados religiosos estabelecidos. Ora, os feriados aos que o prefeito se refere são todos de uma religião, são todos católicos. Ele usa esses subterfúgios legais para obter a manutenção do status quo de uma religião sobre as outras, para a manutenção de um racismo institucionalizado através da invisibilidade que nos é imposta.

É fácil intitular-se não racista, mas o que muita gente não percebe, é que a manutenção de algumas leis e costumes é racismo. No passado a lei não permitia que os negros tivessem liberdade: “é inconstitucional!” Bradavam. Hoje, a interpretação de alguns sobre a lei não permite que sejamos reconhecidos na nossa negritude de muita luta contra um genocídio secular. Esse genocídio que vitima atualmente mais de 55 mil jovens negros por ano, esse número é 72% do total de assassinatos de jovens no Brasil, que passa dos 70 mil.

Na segunda-feira (23/03) será votado o veto do prefeito José Fortunati e, se for derrubado, o município de Porto Alegre reconhecerá a luta de Zumbi dos Palmares, reconhecerá uma comunidade de pessoas que desde sempre viveram a margem de uma sociedade elitista e racista. Por isso é imprescindível que nesta segunda-feira sejamos todos Zumbis, venhamos com garra para o Plenário da Câmara Municipal, que será nossa Palmares. E vamos derrubar mais esta arbitrariedade da prefeitura que se mostra cada vez mais racista.

Ellen Oléria – Canto Das Três Raças

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil
Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou
Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou
Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou
E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

À luta do povo negro. É nesta segunda-feira (23/03) a partir das 14h na Câmara Municipal de Porto Alegre.

*Ritchele é estudante de Direito na UFRGS e do Juntos Negras e Negros